Botucatu - Uma polêmica que vez ou outra volta a virar motivo de críticas e posicionamentos exacerbados é a transformação em calçadão de parte da rua Amando de Barros, principal artéria comercial no Centro de Botucatu.
Uma pesquisa realizada por universitários mostrou que consumidores aprovam a implantação do calçadão em trecho entre a rua Marechal Deodoro e Coronel Fonseca. Conforme matéria divulgada pela assessoria de imprensa, das 201 pessoas consultadas, 85% aprovaram a proposta enquanto que 15% rejeitaram a idéia. O entrave persiste entre os comerciantes. De um total de 113 empresários consultados, 54% dos entrevistados não querem a interdição, enquanto que 46% aprovam a iniciativa. Foram ouvidos comerciantes que têm seus negócios na rua Amando de Barros, entre a Padaria do Bosque e Padaria Pessin e nas travessas Monsenhor Ferrari, Moraes Barros, Siqueira Campos e Velho Cardoso.
O resultado da pesquisa foi divulgado em julho deste ano e não foi suficiente para o projeto de calçadão vingar em mais uma tentativa frustrada. A Prefeitura de Botucatu, por intermédio de sua assessoria de imprensa, afirma que “existe a intenção da administração pública em revitalizar a rua Amando de Barros, visando um melhor desempenho do comércio local”. “Mas em virtude do assunto ser um tanto quanto polêmico e de transformação, mexendo numa cultura secular, estamos aguardando uma posição oficial do grupo contrário a essa idéia para que, em conjunto, possamos chegar à melhor solução”, completa a nota oficial.
A vendedora Milene Moreira de Oliveira, 19 anos, é favorável à proposta, desde que houvesse uma significativa mudança na estrutura para os freqüentadores das lojas. “Fizemos um teste e o movimento caiu bem”, explica. Ela trabalha no comércio da rua Amando de Barros e cursa o segundo ano de administração em Bauru. Oliveira diz que a maior reclamação dos fregueses é arquitetônica. Para chegar ao calçadão os compradores teriam que circular com sacolas e caixas pelas ladeiras sinuosas nas ruas transversais à Amando, o que dificulta o acesso das pessoas e, também, obriga o estacionamento de veículos distante das lojas.
A universitária avalia que Botucatu é uma cidade que lhe propicia campo de trabalho e, por isso, já planeja um curso de especialização ao término da faculdade. Ela trocou a vida agitada de São Paulo, onde morou 14 anos, retornando a Botucatu há quatro anos. “Sou botucatuense e aqui tem qualidade de vida”, justifica a troca de cidade.
O zelador Antonio Spadotto, 60 anos, diz que o município passa por um momento de transformação iniciado com a implantação, na década de 60, da Faculdade de Medicina da Unesp, um dos xodós dos botucatuenses. “É a evolução dos tempos. A população voltou a crescer. Teve o impulso da Faculdade de Medicina, da Caio (Induscar), da Duratex e de outras grandes empresas”, ressalta. Ele fala com orgulho de pontos turísticos como a Cascata da Marta e da Véu de Noiva, onde costuma ir para se banhar.