Os trilhos trouxeram a Bauru pessoas, progresso e cultura. Cortada pelas estradas de ferro Soracabana, Paulista e Noroeste, narradas no livro, a cidade cresceu às margens dos trilhos e abrigou ferroviários vindos de todo o País. Responsável pela ligação entre o então despovoado Mato Grosso e o Sudeste, a Noroeste cortava o pantanal numa viagem de aventuras e beleza. “Eu me lembro como era lindo poder caminhar pelos vagões e admirar os animais no mato”, relembra o autor.
A cidade recebeu a primeira ferrovia em 1905 com a chegada da Estrada de Ferro Sorocabana, que permitiu ligar Bauru à Capital. Em 1906, foi a vez da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) inaugurar o seu primeiro trecho em Bauru, no caso até Avaí, e posteriormente até o Mato Grosso. Em 1910, a Companhia Paulista de Estradas de Ferro atingiu a cidade. Em 1957, a NOB foi incorporada à holding Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e, em 61, todas as ferrovias paulistas, caso da Cia. Paulista e Sorocabana, foram encampadas pelo governo paulista, dando origem às Ferrovias Paulistas S.A. (Fepasa).
Em 1996, houve a concessão da antiga NOB e, em 1998, toda a malha da Fepasa foi concedida à iniciativa privada. Esses processos provocaram o redimensionamento da malha ferroviária, reduzindo de 23 mil quilômetros em 1996 para 19 mil em 2002, de acordo com dados do Sindicato dos Ferroviários. O número de funcionários diminuiu de 45 mil para 18 mil.
Atualmente, o prédio da Estação Central da Noroeste está sendo cortejado pela Prefeitura de Bauru, que visa desapropriar o imóvel para transferir os departamentos da Secretaria Municipal de Educação para o local. O prédio é de propriedade do Sindicato dos Ferroviários de Bauru em razão de uma ação trabalhista movida contra a RFFSA pelos funcionários da empresa.