Fatores econômicos são um dos principais responsáveis pelo surgimento das famílias ampliadas, aponta a psicoterapeuta Marilene Krom. “A questão de sobrevivência está fazendo com que muitos avós ajudem a sustentar os filhos ou netos e de alguma maneira eles também estão participando e assumindo determinadas funções da família”, diz.
A residência da família Kimura está sempre “cheia” de moradores, conta a auxiliar Flávia Kimura, 35 anos. Ela, seu filho Gabriel, a irmã Fabiana, o cunhado e dois sobrinhos vivem na casa dos pais Mário e Célia, na Vila Alto Paraíso.
A exemplo de muitas famílias, todos dividem as despesas, observa Flávia. “É uma vantagem, porque a casa é grande e meus pais teriam de pagar água, luze telefone sozinhos”, diz.
Além disso, Flávia conta com a ajuda da mãe, que cuida do neto Gabriel, 2 anos, enquanto ela vai trabalhar. “Eu não pago aluguel, não gasto com locomoção e além da economia e comodidade tenho mais confiança em deixá-lo com a avó”, diz.
A mesma segurança é compartilhada por Fabiana, que ajuda nos cuidados diários da casa e o marido trabalha. “No caso da minha irmã, como ela e meu cunhado voltaram do Japão e ainda não tem planos, meu pai convidou-os para morar em casa”, diz Flávia, ressaltando que sua outra irmã, Fabíola, o cunhado e três sobrinhos também moraram com os pais antes de se mudar para outra cidade.
Uma família numerosa precisa manter o respeito e a harmonia, aponta Flávia. “As crianças têm de aprender a dividir a televisão, por exemplo. Mas estamos sempre nos ajudando e nos damos muito bem”, diz.