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Apenas 19% já atuaram como voluntário

Diego Molina
| Tempo de leitura: 2 min

Eles deixam a família, trabalho e compromissos para arregaçarem as mangas e dedicarem-se a pessoas com as quais não possuem, inicialmente, qualquer laço de sangue ou amizade - pelo menos até receberem seu “pagamento” pelo serviço: um sorriso, um abraço, um carinho, a lembrança do nome e o pedido de retorno. Muitas vezes, um agradecimento nem é necessário para os voluntários, que têm hoje, Dia Internacional do Voluntário, uma data em que o esforço é valorizado e reconhecido.

Uma pesquisa sobre voluntariado do Ibope para o Instituto Brasil Voluntário, realizada em 2001 em nove capitais brasileiras apontou que 81% dos entrevistados nunca haviam feito qualquer trabalho espontâneo e em prol de alguma entidade, instituição ou iniciativa. Por outro lado, a pesquisa indicou que houve um crescimento de 80% no número de voluntários nas ações sociais entre 1997 e 2001. Informações do site Faça Parte (www.facaparte.org.br) dão conta de um maior crescimento nas ações e na quantidade de pessoas engajadas solidariamente, especialmente depois de 2001, instituído como o Ano do Voluntariado no Brasil.

Em Bauru, um grupo de amigos reuniu-se há cerca de cinco anos para visitar, uma vez por mês, os idosos do abrigo da Sociedade Beneficente Cristã, o Paiva. “Eu participava de um grupo que fazia visitas uma vez ao ano. Quando eles não quiseram aumentar as visitas e fazer algo mais legal, decidimos reunir outras pessoas e conseguimos autorização para vir ao Paiva no primeiro domingo de todo mês”, conta a voluntária Rita de Cássia Mello Cayar.

Ontem, dia do grupo visitar os assistidos da entidade, os idosos tiveram um almoço especial com direito a presença de Papai Noel. Nos rostos das pessoas, um sorriso a cada vez que um dos voluntários passava por eles e fazia uma brincadeira ou despendia qualquer atenção a pessoas que, em sua maioria, não têm familiares presentes. “Somos um grupo de amigos, oito pessoas sem ligação com empresas ou entidades e que não deixam de participar. O que nos uniu foi mesmo o abrigo do Paiva”, diz Rita.

Na opinião da voluntária Liliana Caldas Tomazini de Freitas, as visitas à entidade são mais gratificantes a cada dia, especialmente quando eles percebem que os atendidos lembram-se ou perguntam sobre os integrantes do grupo. “No começo, achávamos que eles não nos reconheceriam, mas é justamente o contrário. É uma ação que não tem patrocínio, nós corremos atrás de tudo, colocamos dinheiro do próprio bolso porque esse reconhecimento é o maior pagamento”, frisa.

“Eu não venho aqui trazer nada, só venho para levar. Eles nos fazem amados, não pedem nada, só um abraço e nossa atenção”, completa Rita de Cássia.

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