Cultura

Artigo: Pearl Jam - valeu esperar

Ligia Ligabue
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O Pacaembu estava lotado para receber, pela segunda noite, o Pearl Jam. Quase 40 mil pessoas divididas entre o campo e as arquibancadas esperavam o show desde o início da tarde de anteontem. Na verdade, a maioria, como eu, já esperava há mais de dez anos. E como valeu a pena.

A banda Muldhoney, também de Seattle, fez um belo aquecimento. Uma apresentação relâmpago, que mais valeu como um termômetro do público. Ainda era dia em São Paulo, o tempo estava feio, céu cheio de nuvens, mas para minha sorte, a chuva ficou só na ameaça. Meia hora depois da apresentação do Muldhoney, a banda de Eddie Vedder entrou e disparou, de cara, três músicas em seqüência. Foi emocionante, uma multidão cantando e pulando junto sem parar. Apesar do relógio marcar 19h30, ainda era dia e para quem estava longe do palco, o recurso de assistir o show pelo telão não dava muito certo. Eu conseguia distinguir os músicos, mas só percebi que Eddie Vedder estava a cara do ator Gary Oldman no meio da apresentação, quando a noite já havia chegado.

Logo no primeiro “Boa noite, São Paulo”, o vocalista ganhou o público, que a cada gesto dele gritava alucinado. Em resposta, cada música era interpretada de forma dramática por Vedder, que durante todo o show bebia vinho pelo gargalo da garrafa. Quem ganhou um gole da bebida foi o guitarrista Stone Gossard, que errou a introdução de “Elderly Woman Behind The Counter in a Small Town” e fez a banda interromper a música. Antes de recomeçar, Vedder deu risada e ofereceu um gole ao guitarrista.

O palco tinha apenas a banda. Nada de efeitos especiais, só iluminação e os músicos. E nem precisava mais, pois o set dispensava enfeites. A banda tocou cerca de 25 músicas, com direito a bis e covers, como “I Beleave in Miracles”, do Ramones. A seleção foi bem preparada, misturando seqüências de músicas pesadas com baladas, as preferidas pelo público que, em certas horas, foi regido por Vedder. “Com certeza, vocês estão melhor que o público de ontem”, desdenhava após a execução de “Black”.

E a ausência de quinze anos foi redimida em português. Se posto de forma delicada, seria “por que diabos a gente não se encontrou antes?”. Para mim, não precisava de mais nada, a banda estava desculpada. Para fechar o show, “Alive” foi cantada por todos. E mesmo com os holofotes acesos, a banda ainda encontrou tempo para “Rockin ‘In the Free World”, de Neil Young, encerrando o show às 21h40. Ao sair do palco, Eddie Vedder deu a deixa: “A gente se vê ano que vem”, prometeu. Nesse eu vou na pista.

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