Curitiba - O vice-presidente da República, José Alencar, tratou de isentar ontem a Coteminas - empresa que fundou e da qual está afastado desde 2002 - de qualquer ato ilegal no recebimento de um crédito de R$ 1 milhão, em dinheiro, pelo PT, em maio deste ano. Ele disse que as explicações sobre a origem do dinheiro são exclusivas do PT. “(A Coteminas) É uma empresa que está completando 30 anos de vida e não tem um alfinete (contabilizado) por fora. Não tem caixa dois, venda sem nota nem compra sem nota nem nada disso. Talvez seja esse o defeito (da empresa). Se tivesse (caixa dois), não estava passando por isso”, afirmou.
Ainda segundo ele, “a empresa recebeu, depositou, deu recibo e levou a crédito do cliente, que é o Partido dos Trabalhadores. E isso é tudo do ponto de vista de Coteminas. Agora, daí para a frente, é com o PT”. Ele falou sobre o depósito numa entrevista em Curitiba, antes de dar uma palestra a empresários, sobre governança pública, na Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).
Alencar se declarou “absolutamente aberto” para a investigação, que afirmou, espera “seja dura, pra valer, como toda investigação deve ser”. Foi a primeira entrevista do vice-presidente sobre o assunto revelado em reportagem da “Folha de S.Paulo” anteontem. Alencar aparentava bom-humor. Primeiro tentou limitar as explicações à nota que seu filho e atual presidente da Coteminas, Josué Gomes da Silva, liberou ontem à tarde para divulgação, mas não deixou nenhuma pergunta sem resposta.
Ele disse que recebeu um telefonema à tarde do presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, confirmando que o repasse à Coteminas não foi contabilizado no partido. Berzoini também informou sobre uma nota que o PT divulgaria ontem sobre o episódio.
“Recebi ontem, quando chegando aqui, um telefonema que respondi do celular para o presidente do partido, deputado Berzoini. Ele disse assim: ‘Alencar, nós estamos muito tristes com isso. Isso aconteceu ainda naquele período em que tudo aquilo aconteceu com o partido, razão pelo qual nós estamos aqui na presidência colocando as coisas em ordem. Sai hoje uma nota do partido confirmando a negociação como foi feita, a compra, o faturamento, quais são as notas fiscais, de que valor, como foi negociado. E o que foi pago foi pago e não contabilizado. Daí a razão pela qual o PT tem uma informação diferente da Coteminas. O PT, na nossa direção, vai verificar os registros contábeis e não encontra nada registrado. Porém nós já verificamos, por isso estamos liberando uma nota de que de fato foi pago e não há registro contábil do pagamento’.”