Quem caminha pela avenida Nuno de Assis, certamente já teve a oportunidade de ouvir o toque dos sinos da Paróquia Nossa Senhora Aparecida - construída em 1942 -, 30 minutos antes e na hora da missa começar. O que a maioria não sabe é o fato do som harmônico ser produzido pelo único carrilhão (conjunto de sinos) da cidade, que conta com oito sinos e pesa quase 3 mil quilos. Porém, apenas quatro são acionados por meio de um sistema elétrico, explica o encarregado da manutenção da igreja, Lázaro Alves da Silva.
Ao iniciar a subida pela sinuosa torre da igreja, com suas escadas íngremes, já é possível conferir os sinos com tamanhos e tons diferentes. Todos com gravações em alto relevo, eles trazem nomes de centenas de famílias benfeitoras que colaboraram para a aquisição do carrilhão. Silva, que há 11 anos trabalha na paróquia, diz que havia ainda um nono sino, que teria sido transferido para a capela do Cruzeiro, na Vila Santa Luzia. Seu lugar ainda está reservado na torre da igreja.
“Na época da instalação, as pessoas fizeram um passeio dos sinos em caminhões de empresas da cidade. Foi uma festa”, recorda o historiador e morador da região Gabriel Ruiz Pelegrina. A instalação, sob a responsabilidade dos engenheiros José da Silva Martha Filho e Luiz Edmundo Coube, causou suspense, pois as pessoas temiam, por causa do som estrondoso do carrilhão, que a torre viesse abaixo, mas nada aconteceu.
De acordo com informações de Pelegrina, os sinos, datados de 1965 e 1966, foram fundidos em Pirituba (SP) por uma empresa de origem italiana, a fundição Crespi. A campanha foi encabeçada pelo padre Antonio Cortez, então vigário da paróquia, juntamente com o apoio do padre Leopoldo e do bispo dom Vicente Marchetti Zioni, da diocese de Bauru.
A família de Wilson Nava, 68 anos, foi uma das centenas que colaboraram para a fundição do sino. “Eu sempre gostei de sino. Quando era mais novo, eu gostava de ouvir aquele som bem grave e pesado.”
Detalhes do carrilhão
Dentro da escala musical, estão assim classificados os oito sinos, inclusive o que neles estão gravados:
800 quilos - mi - além de uma imagem de N.S.ª Aparecida, estão esculpidas as armas de Paulo VI e do Bispo Diocesano e um retrato do atual provincial dos Missionários do Sagrado Coração (MSC), Padre Luiz Xavier Peres.
570 quilos - sol - Retratos gravados do fundador da Congregação, padre Júlio Chevalier, e do vigário Antonio Cortez; uma inscrição que homenageia os primeiros padres do MSC, que em 1963 começaram a trabalhar em Bauru.
410 quilos - lá - Gravadas as armas da cidade e a imagem de São José e os retratos de um casal benfeitor Elizeu Alvarez Gomes, com os nomes dos filhos.
340 quilos - lá - Mostra um estensório, a cruz e nomes de 200 benfeitores.
240 quilos - ré bemol - N.S. do Sagrado Coração, a quem é dedicado, além dos nomes de 120 contribuintes.
170 quilos - ré - Dedicado a fé, contando os nomes de 80 benfeitores.
120 quilos - mi bemol - Dedicado à esperança, traz gravados os nomes de 80 benfeitores.
100 quilos - mi - Dedicado à caridade e à criança bauruense. Além da imagem gravada de José Menino encontram-se gravados os nomes de 80 crianças.
Fonte: Gabriel Ruiz Pelegrina