Regional

13 telas de Calixto

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Todas as peças que ornamentam a matriz inaugurada em 1910 criam um ambiente suntuoso, com alguns excessos mas tudo em equilíbrio em se tratando de templo religioso. O ar de ambiente rebuscado vem da luz natural que reflete nos vitrais decorados, do altar principal, com grandes imagens de anjos, dos enormes lustres pingentes e do púlpito hoje apenas peça de decoração. Cezare ressalta a astúcia do padre José Maria Alberto Soares que tirou a atenção de Calixto para a vizinha Jaú para revitalizar a matriz bocainense na década de 20. O padre conseguiu que o artista pintasse 13 telas sacras que ornamentam o interior do templo. Calixto fez questão de uma profunda remodelação da São João Batista. O engenheiro Sizenando Calixto, filho do pintor, elaborou as modificações, executadas entre 1923 e 1925. No período da obra, um enfermo Calixto pintou as telas em São Vicente e Itanhaém. Conforme ficavam prontas eram trazidas por Sizenando e fixadas com cola especial nas paredes e teto. Também sob orientação de Benedito Calixto, o pintor e decorador paulistano Bruno Sercelli foi responsável pela decoração das paredes e do teto, criando um trabalho de estamparia. Ele pintou a tela Batismo de Jesus na sala do batistério da igreja. A chefe do Setor de Desenvolvimento Turístico de Bocaina, Thaís Artuni, guarda como relíquia um jornal antigo em que foi publicada a tradução para a língua portuguesa das legendas em latim de cada quadro de Calixto, o que possibilita a pesquisa do significado religioso das telas.

Benedito Calixto nasceu em Itanhaém em 1853, iniciou sua carreira em Brotas – vizinha a Bocaina –, tem diversos trabalhos de destaque como o conjunto de telas na matriz de Catanduva e faleceu em 1927 em São Paulo. A assessoria de imprensa da prefeitura explica que o restaurador Raul Carvalho conheceu o acervo de telas e deve formatar projeto de restauração. O convite foi feito pelo prefeito João Francisco Bertoncello Danieletto (PV) e pelo diretor do Banco Safra, José Roberto Marcelino dos Santos. Carvalho é conservador do Museu Afro-Brasil, no Parque do Ibirapuera. Ele avaliou que, das 13 telas, quatro estão em estado crítico e precisam de uma intervenção urgente de restauração. Há perda de pintura, bolha e infiltração de água. A execução do trabalho deve exigir entre seis e oito meses. Santos manifestou seu interesse pelo projeto e há enormes possibilidade de o Banco Safra financiar a recuperação do acervo. “Essas telas devem receber restauração em 2006. Estamos com projeto encaminhado através da Lei Rouanet. E temos um empresário querendo fazer a restauração de duas dessas telas.” Conforme o prefeito, o restauro de cada tela custaria aproximadamente R$ 13 mil. A primeira etapa da restauração prevê testes para definir que produtos químicos podem ser usados na recuperação. Depois vem a limpeza das telas e no verniz oxidado. Em seguida, se fixa a pintura e inicia a tarefa de retoques e aplicação de novo verniz.

Esporte na veia

A atual administração pública de Botucatu investe em um setor que oferece resultados também a curto prazo. O esporte, lazer e entretenimento vem recebendo atenção especial voltado para educação do público infantil, juvenil e adulto. Ao todo, 947 crianças e jovens, entre 5 a 16 anos, praticam alguma modalidade esportiva no projeto Escolinha de Esporte, com destaque para futebol de campo, futsal, atletismo, basquete, vôlei, handebol e natação. Na academia 120 pessoas praticam musculação e mais 30 freqüentam a hidroginástica.

Ainda são promovidas atividades de iniciação esportiva na Casa da Criança com menores de 3 a 10 anos. A ação esportiva chega a 50 pessoas no Distrito Pedro Alexandrino, com ginástica duas vezes por semana. Na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) são atendidas mais 70 crianças e no asilo Lar Vicentino 30 idosos praticam atividades físicas duas vezes por semana. Em outra ação o vôlei é adaptado para 25 pessoas da terceira idade, que também freqüentam a hidroginástica. Os 20 trabalhadores da usina de lixo praticam ginástica. Para adultos, três vezes na semana é promovido o Caminhando com Saúde com orientação para a prática de esporte. Todas as atividades são promovidas pela equipe da Diretoria de Juventude, Esporte e Lazer (DJEL), comandada por Marco Antonio Giro, o Pipoca. Ao todo são 10 professores de educação física e oito funcionários que dão suporte estrutural para as atividades. A sede da DJEL é no Ginásio de Esportes “Irmãos Angotti”, onde já estão sendo preparadas as novas modalidades da Escolinha de Esporte para 2006. Pipoca conta que no próximo ano será oferecido judô, jiu-jitsu e tênis de mesa. A equipe ainda é responsável pela reativação da fanfarra municipal, parada há 12 anos. O pessoal do esporte também promove o Som na Praça, evento com músicos locais que acontece uma vez por mês desde janeiro.

A equipe da DJEL participa ainda da promoção da Primeira Batalha de B. Boys e B. Girls Hip Hop, que acontece hoje a partir das 10h, no Ginásio de Esportes “Irmãos Angotti”. Estão inscritos trios de dança de rua de Bauru, Jaú, Araraquara, São Carlos, Botucatu, Lençóis Paulista e Bocaina. O ginásio fica na rua Aquilino Pacheco, 240, no Centro da cidade. Mais informações pelo telefone (14) 3666-3056.

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