Saúde

A cada 3 segundos, uma pessoa precisa de transfusão de sangue

Agência Brasil
| Tempo de leitura: 5 min

A cada três segundos, segundo a Organização de Saúde (OMS), uma pessoa precisa de transfusão de sangue. Como a tecnologia ainda não permite sintetizar a substância em laboratório, apenas a doação é capaz de atender à demanda de quem necessita de uma transfusão para viver.

Com a proximidade das férias escolares e conseqüente aumento do movimento de carros nas estradas, cresce o número de acidentes e a demanda por sangue, principalmente nas emergências dos hospitais. Por outro lado, muitos doadores voluntários regulares também aproveitam o período para viajar. Eles representam 75% das doações. A conseqüência: as doações caem, em média, 30%. O mesmo problema se repete nos feriados prolongados, como Carnaval e Semana Santa, por exemplo. A oferta também tende a cair durante o inverno e no período chuvoso. Por isso, é importante que os hemocentros mantenham seus estoques bem abastecidos, o ano todo.

Um fator positivo tem feito com que a demanda pelos estoques de sangue cresça. “Procedimentos complexos, como transplantes, por exemplo, acontecem com freqüência cada vez maior no País. Esse é outro motivo pelo qual também precisamos aumentar o número de doadores”, explica Eliana Vieira, coordenadora da Política Nacional de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde.

Em torno de 1,8% da população brasileira é doadora, o que permite que os serviços de hemoterapia funcionem com relativa tranqüilidade. Mesmo assim, o Ministério da Saúde tem como meta atingir 3% até 2007 – nível recomendado pela OMS e suficiente para que se mantenham estoques reguladores.

O Brasil conta com quase 2.500 serviços de hemoterapia. Desses, 2 mil realizam transfusões. Ao todo, 500 coletam sangue e 250 fazem triagem laboratorial para verificar a qualidade. Oitenta por cento do volume coletado no país vem das capitais. Por outro lado, a demanda por doações de sangue no Brasil varia conforme o perfil epidemiológico da população das cidades, estados ou regiões e a oferta dos serviços de saúde. Grandes cidades, onde a violência é maior e onde se realizam procedimentos de alta complexidade como transplantes e cirurgias cardíacas, exigem mais dos serviços de hemoterapia. Lugares onde vivem muitos idosos também apresentam maior demanda.

Eles doam mais

Pesquisa realizada pelo governo apontou que os homens adultos são os que mais procuram os hemocentros. Eles representam cerca de 60% dos doadores. O sexo feminino, apesar de ser maioria da população brasileira, é minoria entre os doadores. Na Região Norte, apenas 30% das pessoas que doam sangue pertencem ao sexo feminino. No Centro-Oeste, 24% das mulheres são doadoras; no Sul 35,33% e no Nordeste, 29,05%. O Sudeste registra o maior número, com 38,98% de doações femininas. As autoridades em saúde querem que, até 2007, o sexo feminino responda por 40% das doações de sangue no País.

Aumentar o número de doadores entre esse grupo faz parte da estratégia do governo de atingir a meta de ter pelo menos 3% da população doando sangue anualmente. Segundo Eliana Vieira, os doadores habituais e os profissionais da área da saúde podem ajudar a aumentar o número de voluntários doadores: “Basta que, sempre que possível, ajudem a desfazer alguns mitos que são responsáveis pelo afastamento de muita gente da doação, o que não é bom para ninguém”, explica. A médica lembra que doar sangue não engorda, não afina nem engrossa o sangue, não obriga ninguém a doar para o resto da vida, não aumenta a pressão e dói muito pouco – sente-se apenas uma picada de agulha. “O que prevalece, segundo o relato dos doadores, é a alegria de ajudar outras pessoas, e isso deve ser reforçado”, enfatiza.

Luiz Rios mora no Distrito Federal e começou a doar sangue há quase 20 anos, quando era voluntário da Cruz Vermelha, em Brasília, na prestação de primeiros socorros, e viu de perto o quanto transfusão de sangue é importante. Luiz costuma convidar gente da família e amigos para conhecer o hemocentro: “Somente neste ano, levei uns cinco amigos para doar sangue”. Deles pelo menos dois se tornaram doadores freqüentes.

Rápido e quase indolor

Doar sangue no País é muito seguro. O Brasil dispõe de um sistema com nível de confiabilidade equivalente ao do Primeiro Mundo, com todos os materiais descartáveis e exames de última geração. “E às mulheres que por acaso tenham medo de sentir dor, um aviso: tirar sobrancelhas é muito pior”, brinca a paulistana Berta Marchiori, de 27 anos, que já doou sangue muitas vezes. Além de quase indolor, a recuperação do doador é rápida: a parte líquida do sangue é reposta pelo organismo em 24 horas e o número de glóbulos vermelhos retorna aos níveis anteriores após 40 dias. São retirados, no máximo, 450ml (em média, uma pessoa tem cinco litros de sangue).

Para ser doador, basta ter peso acima de 50 quilos, idade entre 18 e 65 anos e gozar de boa saúde. Aconselha-se que, antes de procurar um hemocentro, a pessoa faça uma refeição leve, não fume nas duas horas que antecedem a doação e nem consuma bebida alcoólica por pelo menos quatro horas. Também não se devem fazer exercícios pesados no dia anterior. Os demais quesitos, como as situações de risco – uso de drogas, por exemplo – são avaliados durante a triagem dos voluntários.

Há também alguns cuidados que devem ser seguidos depois da doação: permanecer por alguns minutos na unidade em que foi feita a doação e não fumar nas duas horas seguintes. É bom também beber bastante água, nas 12 horas subseqüentes, evitar bebidas alcoólicas e não praticar atividades de esforço.

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