Temperatura alta, sol, praia, pancadas de chuva. Todos esses ingredientes típicos das férias de verão trazem junto uma preocupação: o risco de ser contaminado pelo incômodo bicho geográfico. Como o próprio nome diz, o bicho geográfico (Ancylostoma brasiliensis) é um parasita que penetra na pele humana e, ao se locomover, deixa traços e marcas, semelhantes a um mapa.
O parasita normalmente se desenvolve no intestino de cachorros, comuns nas praias. Ele se prolifera principalmente na areia por conta de animais que defecam na terra úmida - ambiente propício para o parasita. “Essas larvas se desenvolvem e se espalham na areia. Assim que a pessoa pisa, elas penetram no corpo. Não é necessário estar com algum corte, porque as larvas são microscópicas’’, afirmou Jane Tomimori Yamashita, dermatologista especialista em dermatoses infecciosas da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
O primeiro sintoma da contaminação é uma forte coceira. Como o bicho geográfico não é um parasita humano, encontra dificuldades para sobreviver no organismo do homem. Ele percorre cerca de 1 cm por dia e vai deixando sua marca por onde passa.
“A coceira aparece porque o bicho causa uma infecção na pele. Mas esse é um problema fácil de ser tratado. Raramente temos casos mais graves, como alergias’’, explica a dermatologista Luciane Scattone. A única forma de prevenção, segundo Luciane, é evitar sentar direto na areia da praia e sempre usar chinelos ao pisar na areia.
O tratamento pode ser feito de duas formas: em casos mais simples, aplica-se uma pomada no local. Em casos de infestação maciça (quando mais de uma larva penetra na pele), o tratamento é feito por meio de vermífugos e antiinflamatórios. Os especialistas alertam, no entanto, que as pessoas não devem ficar atentas apenas ao risco de contrair bicho geográfico no verão.
“As pessoas devem se preocupar com insolação, micoses, queimaduras e acidentes envolvendo animais marinhos’’, alertou Vidal Haddad, professor de dermatologia da Unesp (Universidade Estadual Paulista). Haddad acompanhou dados de acidentes com animais marinhos envolvendo turistas em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, durante as férias de verão. “Um em cada mil turistas foi atingido por animais marinhos. Metade deles teve problemas com ouriço-do-mar, 25% tocaram em águas-vivas e os outros 25% foram atacados por peixes’’, relatou.