Esportes

Barros deu show na Super Motard

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Se alguém duvidava que Alexandre Barros é o melhor piloto brasileiro de motovelocidade, certamente passou a ter ontem, durante o Desafio das Estrelas, outra impressão sobre o “brazuca” que compete no Campeonato Mundial da categoria há vários anos. Além de vencer a supermoto, prova que em 2006 se chamará Super Motard - esporte em que motocicletas são preparadas especialmente para correr, ao mesmo tempo, no asfalto e na terra -, Barros desfilou talento e técnica na pista da Toca da Coruja ao travar um duelo emocionante com o bauruense Marcel Sona Cardoso.

A bateria funcionou como uma espécie de “estréia” para o Campeonato Brasileiro de 2006 da modalidade, que no ano que vem irá chamar-se “Arena Supermotard”. Atual campeão brasileiro do esporte, Cardoso deu muito trabalho na prova para o adversário. Logo na primeira curva, o piloto local, que largava em segundo logo atrás de Barros, tomou a ponta e deu a impressão que manteria o ritmo até o final.

Entretanto, Barros levou apenas três voltas para retomar a liderança, posição em que permaneceu até a bandeirada final. Apesar de ter pouca intimidade nos cerca de 150 metros de terra da pista, onde Cardoso levava enorme vantagem graças à sua experiência acumulada em diversos campeonatos de motocross disputados, o piloto da MotoGP recuperava rapidamente a desvantagem nos mais de 800 metros de asfalto restantes.

Especialista em motovelocidade, Barros adotava técnicas diferentes dos demais pilotos acostumados com o estilo da modalidade. Em vez de chegar “de lado” derrapando e utilizar o pé para equilibrar-se na motocicleta, como é comum na supermoto, o piloto adotava a posição característica da Moto GP, deitando a moto e quase tocando o joelho no asfalto para manter normalmente a condução da máquina.

Com isso, Barros foi aumentando volta a volta a distância sobre Cardoso e conquistou folgada vantagem, que praticamente lhe permitiu administrar o ritmo até o final, mesmo sendo bem mais lento que seu principal oponente na terra. Desta forma, só restava ao piloto “da casa” torcer por um erro ou problema mecânico de Barros, o que não ocorreu.

Com uma pilotagem precisa e extremamente rápida no asfalto e cautelosa na terra, Barros dominou a prova e não deu chances para Cardoso, que teve de se contentar com o segundo lugar. Ao comentar o resultado, o piloto, ofegante, afirma ter divertido-se. “Para quem andou pela primeira vez nesse esporte foi muito divertido. Mas cansei e não foi nada fácil, principalmente porque não estou acostumado com a terra”, ressaltou.

Já Cardoso, que correu a prova com o joelho “baleado” e deverá operá-lo ainda esta semana, contou que o equipamento de Barros era superior ao seu, mas não deixou de reconhecer os méritos do campeão da prova. “Como ele representa uma fábrica, pode utilizar uma suspensão importada que propiciava desempenho bem superior aos demais. Prova disso é que ele não precisava nem equilibrar-se com os pés”, disse. E completou:

“Mas, independente disso, ele mereceu vencer, pois pilotou demais e fiquei contente de não ter tomado uma volta dele. Tive de diminuir um pouco meu ritmo porque, se tentasse acompanhar o dele certamente eu cairia. Por isso, optei por uma condução mais segura e cautelosa para conseguir terminar a bateria.”

Além de Barros e Cardoso, completaram o pódio da prova, respectivamente em terceiro, quarto e quinto lugares, os pilotos Rafael Fonseca, Rodrigo de Benedictis e Dado Mosquetto. Outra atração do Desafio das Estrelas para os apaixonados por motocicletas foi um show de acrobacias radicais promovido pela equipe Força & Ação.

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