Ao discursar para integrantes do Conselho de Segurança Alimentar, muito irritado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a política econômica do seu governo nunca foi empecilho para a política social. Utilizando truques de retórica para apresentar feitos do seu governo, sugeriu aos presentes que pensassem num país imaginário que conseguiu nos últimos anos aumentar a oferta de empregos, as exportações e a distribuição de renda. No final de sua intervenção, disse que esse país imaginário existe e se chama Brasil, referindo-se, também, à pesquisa da FGV, baseado no Pnad, que indicou a redução da pobreza em 2004 no país.
Senhor presidente, vamos voltar à realidade brasileira onde a verdade é bem outra, pois pouco se fez para mudar a estrutura econômica que produz desigualdades. O pequeno aumento das taxas de desemprego são fruto do achatamento salarial. Um exemplo de que as políticas implementadas pelo governo só agravam a situação da população é o fato de a carga tributária não só ter crescido a cada ano como também ter avançado muito além da inflação. Entre 1988 e 2004, excluída a inflação, o avanço foi de 269%. Em sete anos, a trajetória da carga tributária chega a quase 10 pontos percentuais. Em 1999, o governo tomava o equivalente a 29% do Produto Interno Bruto. No primeiro semestre deste ano, a volúpia de impostos ultrapassou 39% do PIB. Pesquisa mostra que o brasileiro não conhece os impostos que paga e eles são muito mais altos do que se imagina.
O cidadão brasileiro hoje trabalha o dobro do que trabalhava na década de 70 para pagar tributos. Na média, o ganho de mais de quatro meses vai para impostos. Portanto, o governo não tem muito do que se ufanar pelos resultados obtidos, pois, apesar da desaceleração da economia, a arrecadação de impostos não pára de crescer. Nos primeiros cinco meses do ano, o governo teve a maior arrecadação da história no período. Seria um bom resultado não fosse apenas o reflexo do aumento da carga tributária.
Na Europa, os governos já se mostram sensíveis às queixas generalizadas da população, de que paga excessivos tributos e que o retorno é baixo, em serviços para a sociedade, perdendo-se os recursos nos meandros das burocracia ineficiente. Nada muito distante do que acontece no Brasil, mas com uma grande diferença. Os serviços públicos prestados lá são incomparavelmente melhores e maiores do que os nossos, onde as estradas estão todas esburacadas, a educação e a saúde públicas não funcionam a contento e o contribuinte é obrigado a procurar a iniciativa privada para ter atendimento adequado. Por tudo isso e pelo baixo índice de crescimento do país, não temos muito o que comemorar.
(O autor, Benjamin Ribeiro da Silva, é diretor-tesoureiro do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo e vice-presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares - Fenep - e-mail Benjamin@einstein24h.com.br)