Geral

Simulação do Samu retrata acidente grave com 25 vítimas

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

Um acidente entre um ônibus e um Fusca ocorrido na manhã de ontem, na marginal de acesso ao Núcleo Gasparini, deixou 25 vítimas, entre elas uma fatal, cinco gravíssimas, cinco graves, duas em estado crítico e 12 leves. Esta foi a cena escolhida para a realização de um simulado de socorro a feridos em catástrofes realizado pelo Comitê Gestor do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu).

O treinamento - que teve início por volta das 9h - uniu, pela primeira vez no mesmo evento, diversos segmentos que podem ser acionados no caso de desastres com múltiplas vítimas. Entre eles Polícia Militar, Policiamento Rodoviário, Corpo de Bombeiros e Samu, responsáveis pelo atendimento no local; equipes de transporte e assistência nas unidades de urgência e emergência, como Pronto-Socorro (PS) Central, Hospital de Base, Hospital Estadual e Unimed; além de integrantes da Defesa Civil, Universidade de São Paulo (USP), Secretaria Municipal da Saúde, escoteiros, Transurb e voluntários.

No total, mais de 100 profissionais participaram da simulação, que envolveu todos os procedimentos necessários em situações de desastre, incluindo controle do trânsito e o isolamento do local, atividade que contou com o apoio da Defesa Civil.

O órgão, coordenado por Álvaro de Brito, também é responsável pelos recursos externos que podem ser utilizados durante a operação, como guincho, máquinas, água, refeições e instalação de banheiros para equipes de salvamento (no caso de ações demoradas), entre outros aspectos de logística.

Após o acidente fictício, os bombeiros iniciaram o socorro aos feridos. Eles retiraram as vítimas dos veículos, separando-as de acordo com a gravidade dos traumas, explica o capitão do Corpo de Bombeiros Geraldo Aparecido Delmonte, um dos participantes do treino.

“Numa situação dessas não é possível atender todos ao mesmo tempo. Fazemos uma simples triagem e rápido atendimento, seguindo um padrão internacional envolvendo grande quantidade de vítimas”, diz Delmonte.

De acordo com ele, os feridos gravíssimos são atendidos em lonas de cor vermelha, os graves nos espaços amarelos, os leves nos verdes e os mortos ou feridos em estado crítico e sem chance de sobrevivência, nas pretas.

Aigiro Kamada, coordenador do Departamento de Urgências e Emergências e participante do simulado, explica que a classificação dos feridos é a forma mais eficaz de atendimento em situações de desastre. “Numa catástrofe, é importante montar um posto médico no local onde ocorreu o sinistro, fazendo triagem e tratamento rápido desses pacientes.”

A secretária municipal de Saúde, Tereza Feifer, compartilha da mesma opinião que Kamada. â€œÉ um movimento conjunto de vários setores que visa contribuir para o treinamento pré-hospitalar das urgências. A atividade tem o intuito educativo e de treinamento. Agora, toda a equipe irá rever e analisar os procedimentos”, pontua.

Apoio emocional

Dezenas de participantes do simulado e populares observaram o treinamento e acompanharam o drama retratado pelas vítimas - voluntários maquiados com sangue e enfaixados que gritavam de dor ou choravam.

Alguns desses “atores” mostraram situações de extremo desespero, caso de Sueli de Almeida, 32 anos. Ela interpretou uma doméstica que sofreu ferimentos leves mas teve uma crise após perceber a gravidade do acidente. A estudante Mariana Firmino, 21 anos, também participou da tragédia. Na pele de uma grávida de 7 meses, ela tornou quase real o medo de perder seu bebê (também fictício).

Para confortar e dar apoio emocional aos feridos, o grupo de escoteiros Guia Lopes participou do simulado levando 25 de seus integrantes, entre jovens e adolescentes. “Viemos tentar controlar os curiosos e ajudar as vítimas leves”, diz o chefe da tropa Cléber Ribeiro Ramos.

Comentários

Comentários