Brasília - PFL e PSDB vão cobrar da Receita Federal e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma investigação mais aprofundada sobre o pagamento de R$ 795,7 mil da campanha do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 a uma empresa laranja. O deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) quer que a Receita destrinche as contas do PT. “Precisamos provocar a Receita Federal. É preciso investigação mais forteâ€, disse.
O líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP), acha que o caso é mais um motivo para o TSE cassar o registro do PT. “Esses problemas nas contas do PT têm sido recorrentes. O que me chama a atenção é a inércia do TSE. Até agora, eu não tenho notícia de uma auditoria sobre as contas do partidoâ€, disse o tucano. Goldman também questiona a falta de atuação do Ministério Público eleitoral nas apurações dos diversos problemas na prestação de contas do PT, sobretudo ao já confesso uso de caixa dois.
A Folha de S.Paulo revelou anteontem que a empresa Santorine Comercial e Distribuidora Ltda recebeu R$ 795,7 mil para produzir faixas e bandeirinhas para a campanha de Lula à Presidência, em 2002. Ocorre que a empresa foi registrada como atacadista de alimentos e bebidas. Criada em 2000, a Santorine encerrou suas atividades em 2003, quatro meses depois da campanha. Além disso, as três mulheres que aparecem registradas como sócias da Santorine disseram à Folha de S.Paulo que nunca tiveram participação na empresa.
O relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), afirmou que a comissão poderá investigar a origem do dinheiro que pagou R$ 795,7 mil à empresa. “Podemos fazer uma reflexão nesse sentidoâ€, disse. “Além disso, o PT precisa provar que esse material (faixas e bandeirinhas) foi de fato produzidoâ€, afirmou. Porém, o deputado Eduardo Paes (RJ) prefere que o assunto fique fora da CPI dos Correios. “Essa CPI não foi criada para investigar caixa dois ou problemas em contas de campanhaâ€, disse. “Nosso foco tem de ser sobre corrupção do governo Lula.â€
*Adriano Ceolin