Bairros

Cohab reformará 6 casas na B. Olinda

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Mãe de um bebê de colo e de uma criança de 12 anos, a mutuária Fabiana Maria da Silva, moradora do Núcleo Habitacional Quinta da Bela Olinda, mais uma vez vai mudar de endereço contra sua vontade. Foi obrigada a alterar a rotina da família para não conviver com o risco de ver o teto de casa literalmente desabar sobre sua cabeça. Ela reside num dos seis imóveis que serão reformados pela Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab).

O compromisso da Cohab foi assumido ontem à tarde, em audiência de conciliação realizada na 3.ª Vara da Justiça Federal. A companhia também se comprometeu a apresentar, no próximo dia 9, uma proposta de reconstrução de taludes e implantação de muros de arrimo em parte das casas do bairro. As obras serão necessárias porque o núcleo foi erguido num terreno em declive.

Com o passar do tempo, como a água da chuva pode ter levado a terra e os moradores executaram eventuais obras diminuindo a rampa, a acomodação do solo provocou avarias nos imóveis, como rachaduras e infiltrações.

“Quando nos entregaram a casa, não nos disseram nada. Se dissessem, poderíamos optar em ficar ou não (com as casas). Nem orientação nos deram. Fomos enganados. Se a Cohab fizer (os muros e os taludes), tudo bem, porque ninguém tem dinheiro para fazer”, explica Matilde Estevan.

Custos

De acordo com ela, que é presidente da Associação de Moradores do Núcleo Habitacional da Quinta da Bela Olinda, essas obras custariam para cada morador cerca de R$ 7 mil. O valor também preocupa a Cohab, que apresentará no início de janeiro ao juiz federal Marcelo Freiberger Zandavali uma análise de custo. De imediato, fará apenas o remanejamento das seis famílias, cujas casas estão em situação de risco.

Elas serão acomodadas em outros imóveis disponíveis pela Cohab, que também podem ser reformados antes da transferência. As famílias permanecerão no novo endereço até que a residência situada na Quinta da Bela Olinda seja recuperada. A medida de segurança, no entanto, também é sinônimo de transtorno porque as crianças, por exemplo, estão matriculadas em escolas próximas à Quinta da Bela Olinda.

Invasão

Além das alterações na rotina, os mutuários das seis casas também temem que os imóveis desocupados para reforma sejam invadidos enquanto a Cohab realiza licitação para reformá-los. Com o objetivo de evitar o problema, a companhia afirma intensificar a fiscalização. “Eu já desocupei a casa uma vez e eles não reformaram. Aí eu voltei e eu mesmo fiz (a reforma)”, conta Fabiana, que gastou na época cerca de R$ 7 mil, em vão.

A iniciativa adotada por ela tempos atrás de deixar a casa, foi repetida recentemente por outra moradora do bairro. Uma terceira não aceitou trocar provisoriamente o imóvel por outro oferecido pela Cohab. Apesar do impasse, todas as famílias estão submetidas à pressão exercida pela estação do ano. Chuvoso, o verão representa mais um risco às moradias “cai-não-cai”.

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