Os 50 funcionários da prefeitura integrantes da equipe de mutirão de combate ao caramujo gigante africano estão aguardando o próximo dia de chuva para retomarem o trabalho de coleta do molusco na cidade. Eles costumam aparecer nos meses úmidos - no verão e primavera.
A campanha Dia C de Combate ao Caramujo será retomada na Vila Independência porque é um bairro com alto índice de terrenos baldios, locais onde geralmente os animais se proliferam, explica Mateus Pereira das Neves, biólogo da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma).
Assim que a chuva passar, a equipe percorrerá terrenos, residências, estabelecimentos comerciais e órgãos públicos do bairro à procura do caramujo. O cronograma das ruas vistoriados será divulgado nos próximos dias.
Depois da Vila Independência, o mutirão de coleta vai para a Vila Falcão, no início do próximo ano. Os moradores de outros bairros podem coletar os moluscos usando saco plástico nas mãos, para evitar o contato com o animal.
Os caramujos recolhidos devem ser levados a um dos 22 postos da prefeitura que recebe os moluscos. De lá, eles serão levados ao aterro sanitário, para uma vala sem contato com o lixo residencial.
A estudante Michele Costa da Silva, moradora da Vila Independência, já percebeu o aumento do número de moluscos no quintal de sua casa e na rua. “Meus avós começaram a recolher os caramujos que aparecem no quintal. Na rua tem bastante caramujo”, afirma a estudante.
O comerciante Carlos Alberto Miazato, também morador do bairro, conta que na residência dele os caramujos não aparecem, pois o quintal é cimentado. “Quando chove, aumenta o número de caramujos nos terrenos baldios do bairro, mas eles não chegam a entrar na minha casa”, relata o morador.
Doenças
Um dos dois vermes que podem se hospedar no caramujo gigante, o Angiostrongyus costaricensis, provoca fortes dores abdominais, febre, perda do apetite e vômitos, podendo culminar com a perfuração do intestino.
O outro, o Angiostrongyus contonensis, é causador de um tipo de meningite que ocorre quando o verme se aloja no sistema nervoso central do paciente. Além de causar a inflamação das meninges, pode levar à cegueira, paralisia e, em casos extremos, à morte.
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Quantidade
Segundo levantamento da Semma, foram coletados 400 quilos de caramujos gigantes africanos desde o início da campanha - entre junho de 2004 e julho deste ano. A campanha tem parceria do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
A quantidade de caramujos será comparada com o total recolhido no ano passado. Em resultado preliminar, a Semma recebeu número menor de notificações de moluscos. “Se o número for realmente menor, a secretaria vai analisar se a diminuição dos moluscos aconteceu por fatores climáticos ou por conscientização das população”, diz Mateus Pereira das Neves, biólogo da Semma.
Segundo ele, manter os terrenos limpos e os quintais sem sujeira e entulho colabora para o combate aos moluscos.