A Secretaria de Estado da Saúde divulgou a lista de municípios do Estado de São Paulo identificados como sendo área de risco de proliferação da dengue em 2006. As cidades de Sabino, Cafelândia e Garça estão em terceiro, quarto e décimo segundo lugar, respectivamente, na lista que contém 73 municípios do Estado.
A lista foi criada em levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde com base em dados fornecidos pelas próprias prefeituras. O risco é medido através do índice de Breteau, que leva em conta o número de recipientes encontrados com larvas e o número de imóveis pesquisados. O Ministério da Saúde considera toleráveis os índices que ficam abaixo de um.
O fato dos municípios estarem na lista e terem índice de Breteau alto, não significa porém, que a cidade apresente casos de pessoas infectadas pelo mosquito da dengue, o Aedes aegypti.
É o caso dos três municípios da região que registraram índices altos: Sabino (6), Cafelândia (6) e Garça (3,2). De acordo com a Secretaria de Saúde e a Vigilância Sanitária destas cidades, nenhum caso de dengue foi registrado este ano nos três municípios.
Em Cafelância (83 quilômetros de Bauru), que aparece em quarto lugar na lista de risco, a infestação de pernilongos é grande, segundo Fernando Spagnuolo, coordenador do setor de Combate de Vetores da Secretaria da Saúde do município. “Estamos com uma infestação de pernilongo muito grande. A Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) estará aqui quarta-feira (amanhã) para tentar descobrir qual é a área de foco, mas eu já descobri que é dentro dos domicílios. De cada dez imóveis visitados pelos nossos agentes, em cinco são encontradas larvas”, lamenta.
Segundo ele, o que está faltando é a conscientização dos moradores, que apesar das campanhas realizadas pela Secretaria de Saúde, não estão tomando medidas preventivas dentro de suas residências para evitar os criadouros de mosquitos.
“As campanhas são feitas periodicamente, não só a entrega de panfletos sobre a dengue, mas também panfletos sobre a leishmaniose, o escorpião, o caramujo e, agora, o carrapato. O que está faltando é conscientização e colaboração da população”, critica Spagnuolo, lembrando que, apesar disso, Cafelândia está sem nenhum caso de dengue deste 2003.
Segundo Marisa Motta Arruda Gomes, coordenadora do Centro de Saúde de Sabino (137 quilômetros de Bauru), que consta da lista na terceira posição, todo ano é feita a campanha “Arrastão da Dengue”, que envolve setores da comunidade local.
De acordo com ela, as escolas, grupo da Terceira Idade e os "desbravadores", que são grupos de jovens voluntários entre 15 e 20 anos, participam da campanha. Na cidade, existem cerca de 3 mil residências que são visitadas por agentes do Centro de Saúde. No entanto, Gomes informa que em 2005 nenhum caso de dengue foi registrado.
Em Garça (80 quilômetros de Bauru), de acordo com a agente de saneamento, Edna Semensato de Oliveira, a Secretaria de Saúde do município promoveu campanha diferenciada de combate ao mosquito da dengue em novembro.
As pessoas que visitavam uma das 11 unidades de saúde do município recebiam um cupom para preencher, explicando o que estão fazendo para evitar os criadouros em suas residências.
Em seguida, os agentes de saúde visitavam residências das pessoas sorteadas e, ao constatarem que estava tudo certo, premiavam os moradores com uma cesta básica ou CD da dupla sertaneja Bruno & Marrone.
Além do sorteio, Oliveira explica que durante todo o ano é feito a visita casa-a-casa pelos 60 agentes de saúde nas cerca de 11 mil residências e 3 mil terrenos do município.
A campanha também utiliza as emissoras de rádio e panfletos para orientar a população. Apesar de constar na lista das 73 cidades de risco, de acordo com Oliveira, Garça não registra nenhum caso de dengue desde o ano 2000.
Dados da Secretaria de Estado da Saúde apontam mais de 5 mil casos de dengue em todo o Estado durante este ano. Índice maior que o ano passado, quando cerca de 3 mil casos foram registrados.
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O vilão
O mosquito Aedes aegypti, transmissor de dengue e febre amarela, é originário da África. Ele foi introduzido no continente americano, durante o período de sua colonização. A transmissão se faz pela picada do mosquito fêmea infectado.
Segundo o site da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), os sintomas da doença são: febre intensa, dor de cabeça, dores fortes nos olhos em toda a musculatura nos ossos e nas juntas, também podem surgir erupções na pele. As formas mais graves da doença são as formas hemorrágicas onde ocorrem sangramentos pelas gengivas, pele e intestino, choque e morte.