Cultura

‘Sin City’ e ‘Quarteto’ chegam em DVD

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Duas das principais adaptações de histórias em quadrinhos (HQs) para o cinema deste ano chegam às locadoras para explicitar as disparidades que se colocam em um gênero que só cresceu nos últimos anos - em números de produções e bilheteria. Enquanto “Quarteto Fantástico” busca o público juvenil em ação e roteiro raso, “Sin City - A Cidade do Pecado” foi uma aposta audaciosa e bem-sucedida para transpor às telas as histórias criadas por Frank Miller. Só para constar, o bom “Batman Begins” e o regular “Constantine” ficam no meio dessa trilha.

O diretor de “Sin City”, Robert Rodriguez (de “El Mariachi” e “Era Uma Vez no México”), é dos profissionais que trabalham em casa. Seus últimos filmes, especialmente a série “Pequenos Espiões”, foram quase totalmente realizados em sua produtora particular, com equipamento digital e efeitos especiais de alta qualidade, com custo abaixo dos orçamentos dos grandes estúdios. Um verdadeiro artesanato - e foi exatamente isso que convenceu Frank Miller a transpor, quase que quadro a quadro, sua série de graphic novels para o cinema.

A trama policial pega três histórias independentes e intrincadas da realidade de Basin City, cidade tomada por policiais corruptos, prostitutas, dançarinas de boate, fugitivos e outros anti-heróis durões de fala rouca, e as costura em um filme que não merece títulos de melhor do ano ou novo “Pulp Fiction”, porém que se garante na extrema diversão, no clima de novo noir e na inovação da fotografia que explode em preto e branco, a cada cena, e nas intervenções coloridas.

O filme é co-dirigido por Miller, o que possibilitou a mais perfeita adaptação de quadrinhos para cenas em movimento. Os diálogos mantêm-se fiéis ao cinismo da série e os personagens ganham vida de forma mais espontânea do que poderia se imaginar. O elenco estrelar (Bruce Willis, Mickey Rourke, Jessica Alba, Clive Owen, Nick Stahl, Elijah Wood, Rosario Dawson, Benicio Del Toro, Brittany Murphy) é a cobertura de uma delícia que ainda tem a cereja de Quentin Tarantino, responsável pela cena mais nonsense e original do longa.

E “Quarteto Fantástico”? As histórias de Reed Richards (Sr. Fantástico), Ben Grimm (Coisa), Sue (Mulher Invisível) e Johnny Storm (Tocha Humana) nunca tiveram o apelo de Homem-Aranha e Superman ou os conflitos de X-Men, Batman e Hulk, e o filme é puro reflexo disso. Na trama, em resumo, os quatro e mais Victor Von Doom (o Dr. Destino) retornam de uma viagem ao espaço afetados por uma misteriosa energia cósmica e desenvolvem poderes especiais. A sobrevivência do quarteto vai depender da luta contra o Dr. Destino, em quem o poder “sobe à cabeça”.

Como o Quarteto é das poucas equipes de heróis que não têm identidade secreta, a produção poderia ir mais fundo em questões como a devassa na vida das celebridades pelos paparazzi e imprensa marrom, deixando o longa mais atual, mas o assunto é apenas tocado. O que interessa é ganhar o público com piadas fáceis, rostos bonitos e (poucos) efeitos especiais, em um filme até divertido que funciona apenas para introduzir a franquia.

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