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Renan diz ser contra ‘dar férias à crise’

Folhapress
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São Paulo - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse ontem, em São Paulo, que não apoiará tentativas do governo Lula de usar o recesso parlamentar para “dar férias à crise” e que trabalhará, “se for necessário”, pela autoconvocação do Legislativo. “Se o governo pensa no recesso (do Congresso) para dar férias à crise, para paralisar a investigação, para não dar prosseguimento ao julgamento dos acusados, o governo não vai contar comigo nessa pretensão”, disse ele.

Renan afirmou não ter “posição pessoal” sobre a convocação extraordinária, mas disse que não terá “crise existencial” para convocar o Legislativo. “Conversei com o ministro Jacques Wagner (Relações Institucionais), muito, durante a semana passada e com o presidente também. O presidente pediu empenho para votar o Orçamento, mas disse que não iria convocar o Congresso. Mas falou por ele, não falou pelo Congresso”, disse. “Se for preciso, vamos convocar sem medo.”

A decisão, segundo ele, sai hoje, em reunião com o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), e com os presidentes e relatores das CPIs em andamento. “A decisão não é pessoal. Se for necessário convocar, convocarei, sim. A sociedade não entenderia se o recesso fosse confundido com paralisação da investigação, como fôlego para os acusados e como uma fuga para não votar o Orçamento da União”, declarou.

Indagado sobre os custos financeiros da medida, afirmou que o custo maior “seria não convocar, e a população entender que o recesso significa a paralisação da investigação”. “Ninguém nos perdoaria. Se for autoconvocado e tiver que pagar a convocação, vamos proibir as viagens ao exterior e vamos exigir a presença dos parlamentares sob pena de não receber o dinheiro da convocação.”

Renan também defendeu a necessidade de aprovação do Orçamento, apesar de o PFL já ter dito que não se mobilizará para aprová-lo nesta semana. “Disputa política é legítima, democrática, mas não pode prejudicar o interesse do País. O Orçamento não pode ser a próxima vítima.”

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