Polícia

Para extorquir, golpista diz ser bombeiro

Rafael Tadashi
| Tempo de leitura: 2 min

O telefone toca e alguém do outro lado da linha se identifica como sendo um profissional do Corpo de Bombeiros. Em seguida, informa que um parente de quem atendeu o telefone sofreu um acidente e pede dados e informações referentes ao suposto acidentado. O telefone é desligado repentinamente, mas toca novamente minutos depois. A mesma pessoa, de posse das informações, explica que na verdade não houve acidente algum, mas que o parente do interlocutor foi seqüestrado e pede resgate. Esta é a mais nova tática de extorsão de dinheiro via telefone.

Nas últimas duas semanas, o Corpo de Bombeiros e o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) receberam uma média de cinco a seis ligações por dia de pessoas denunciando ou buscando informações sobre o esquema de extorsão de dinheiro. O fato levou o comandante interino do 12.º Grupamento de Bombeiros, major José Guerxis de Aguiar, a emitir uma nota à imprensa, ontem à tarde, informando sobre a tática dos golpistas.

O major conta que o golpe está sendo aplicado em todo o Estado de São Paulo. De acordo com informações do Copom, o chantagista exige como resgate um depósito em conta bancária ou a compra de um cartão com crédito para telefone celular no valor de cerca de R$ 300,00. Em seguida, pede o número do cartão para adicionar os créditos no seu próprio aparelho de telefone celular.

Pelas características da tentativa de extorsão, os policiais desconfiam que o esquema esteja sendo utilizado por presidiários. Na semana passada, o JC relatou o caso de uma pessoa que sofreu tentativa de extorsão via telefone e só não perdeu R$ 3 mil porque conseguiu estornar o valor do depósito junto ao banco.

De acordo com o delegado J.J. Cardia, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), as investigações desses casos demoram um pouco pois dependem de quebra de sigilos telefônico e bancário expedidos pelo juiz criminal.

A DIG e a Polícia Militar investigam o esquema, mas alertam a população a não fornecer quaisquer dados através do telefone independentemente da situação, pois há golpistas que pedem informações alegando suposta premiação em concurso ou sorteio, ou utilizando outros argumentos. Em caso de dúvida, ligar para a polícia. A pena para crime de extorsão varia de seis a 15 anos.

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