O martelo ainda não foi batido, mas o sentimento entre muitos carnavelescos é de que ainda não será em 2006 que Bauru sai do jejum de quatro anos sem a tradicional festa no Sambódromo. A data limite para a decisão de realizar ou não os desfiles é 30 de dezembro. Se até esse dia nada for definido, a cidade perderá a chance de assistir ao Carnaval popular, mesmo que seja em menores proporções.
Após a reunião realizada na última sexta-feira, restam poucas esperanças entre os organizadores. “Eu só acredito vendo, mas acho que vai ser difícil arrecadar a verba necessária em tão pouco tempo”, lamenta a vice-presidente do Grêmio Recreativo e Cultural Escola de Samba (GRCES) Azulão do Morro, Aparecida Brito Caleda.
Na sexta-feira passada, foi realizada na Secretaria Municipal de Cultura (SMC) uma reunião justamente para discutir a viabilidade da festa. Mas nada de concreto foi definido. Estiveram presentes o titular da secretaria, José Augusto Ribeiro Vinagre; o presidente da Liga das Escolas de Samba e das Entidades Carnavalescas de Bauru (Lesec), Pasqual Storniolo, e representantes da Cartola, Mocidade Independente de Vila Falcão, Azulão do Morro, Coroa Imperial e Tradição Zona Leste. Das escolas que demonstram interesse em participar do carnaval, apenas não compareceu a Águia de Ouro.
Como já divulgado em matériare do JC Cultura, a última tentativa do poder público foi se articular com empresários para arrecadar verbas por meio da lei de incentivo cultural do governo federal, a Lei Rouanet. O presidente da Lesec, Pasqual Storniolo, afirmou que as entidades têm mantido contato com dez empresários, mas ainda não houve uma resposta definitiva de nenhum deles.
“Eu não estou com a empolgação que estava há 60 dias, mas continuo com um fio de esperança. Se conseguirmos a verba necessária até o dia 30 de dezembro, as escolas conseguem se organizar e fazer a festa”, avalia Storniolo.
Mas a sensação da maioria dos presentes na reunião foi de desânimo. “O carnaval ficou parado por muitos anos. Temos que começar tudo de zero, porque quase nada dá para reaproveitar. A verba tem que vir logo para que as escolas corram atrás”, afirma o presidente da Coroa Imperial, Avelino de Souza. O mesmo é defendido por Aparecida Caleda. “Quanto mais tempo passa sem Carnaval, mais difícil fica de fazer a festa. Muitas pessoas da escola já estão desunidas e desacreditadas. Sem dinheiro é impossível.”
Contagem regressiva
O presidente da Lesec informa que uma nova reunião foi marcada para o dia 18 deste mês. De acordo com Storniolo, nesta data o Ministério da Cultura entrega a Bauru o certificado definitivo da lei Rouanet. “Com este documento em mãos, será mais fácil buscar parcerias privadas”, justifica. Ele também relatou que Vinagre, que está em Brasília para a Conferência Nacional de Cultura, vai aproveitar a oportunidade para tentar fechar parcerias com políticos e empresários. O secretário não foi localizado para comentar o assunto.
Ainda para este mês, foi marcada para o dia 30 a reunião que dará a resposta definitiva sobre o Carnaval 2006. Mesmo que haja recursos, os carnavalescos avisam que a festa será menor do que a de anos anteriores. “Faremos um Carnaval pequeno, mas com qualidade”, aposta Souza. Caleda concorda. “Não vai dar para levar todos os carros alegóricos, mas se tivermos uma resposta positiva até o final do mês, nós vamos fazer o melhor que pudermos”, declara.
____________________
Sambódromo abandonado
Em entrevista concedida ao JC Cultura no início do ano, o secretário de cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre afirmou que uma das intenções de sua administração seria promover os reparos necessários no Sambódromo para que as escolas pudessem desfilar. A secretaria tinha um projeto para a reforma, mas até o momento, nada saiu do papel. O secretário não foi encontrado para falar sobre o assunto.
Atualmente, o lugar encontra-se em estado de abandono, carecendo de reformas nos banheiros, na fiação elétrica, alambrados e na pintura. O presidente da Lesec afirma que na última reunião, Vinagre se prontificou a fazer as melhorias apenas se houvesse a liberação da verba para o Carnaval. “Ele disse que faria todo o esforço para realizar as reformas a tempo”, diz Storniolo, que ainda coloca: “Do jeito que está, o Sambódromo não teria condições de receber os desfiles, ele precisa de uma reforma”, comenta.