Economia & Negócios

Ceasa quer tornar-se centro comercial

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O Centro Estadual de Abastecimento (Ceasa) de Bauru estabeleceu como meta tornar-se um grande centro comercial, a curto prazo. A idéia é oferecer aos consumidores da cidade, além de hortifrutigranjeiros e flores, produtos como peixes, carnes, bebidas, vestuários, sementes e eletroeletrônicos, por exemplo. A proposta começou a ser esboçada há uma semana, quando Vanda Franzim Bertolotto assumiu a gerência de operações no órgão.

Única mulher a exercer o cargo no Estado e no município, ela veio de São José do Rio Preto com 26 anos de experiência na bagagem. Por 16 anos foi encarregada administrativa e passou outros dez como gerente do Ceasa na cidade de origem. Se a proposta dela vingar, também conseguirá tornar o Ceasa mais atrativo aos permissionários, fortalecerá os produtores, criará (no mínimo) o dobro de empregos e ainda estreitará o vínculo do Ceasa com a sociedade.

“Estou enfrentando o desafio de levantar a unidade”, reconhece Bertolotto. E não é por menos. O custo mensal do Ceasa de Bauru gira em torno dos R$ 68 mil, sendo R$ 25 mil rateados entre permissionários e o restante subsidiado pela Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). O trampolim para os números deixarem o vermelho é a ocupação da unidade. Ela dispõe de 100 mil metros quadrados de área, mas apenas quatro mil são construídos e 2.800 ocupados.

A ociosidade do espaço custa caro para quem trabalha lá dentro. Ninguém gasta menos de R$ 80,00 para exercer a atividade no local. Por meio de parcerias, Bertolotto espera povoar a unidade e assim derrubar os custos, medida que refletirá no bolso dos consumidores finais. Se o intento for alcançado, o número de empregos diretos e indiretos saltará dos atuais dois mil. Poderá chegar a seis mil, conforme projeções da gerente.

Fortalecimento

“Queremos transformar isso aqui numa cidade. Temos espaço sobrando e gente precisando de ampliação. Precisaremos fazer um remanejamento”, afirma. Com a medida, ela espera eleger um pavilhão para acomodar exclusivamente os pequenos produtores que, juntos, se fortaleceriam frente à eventual pressão inibidora exercida pelos grandes produtores.

Com as medidas, ela espera ainda dar peso ao comércio no Ceasa em qualquer dia da semana. Atualmente, ele mostra-se mais atrativo às segundas e quintas-feiras. “As pessoas precisam saber que aqui tem concorrência, portanto tem preço e variedade. Quem compra na porta, paga o preço que o comerciante quer. No Ceasa, o atacadista, além de fazer a compra, pode fazer encomenda”, explica Bertolotto.

Atualmente, o Ceasa de Bauru dispõe de um pavilhão de flores com 40 módulos (área comum com divisória marcada no chão). Todos estão ocupados e a oferta deve ser ampliada. O pavilhão destinado à agricultura familiar tem 100 vagas, das quais cerca de 15 estão ocupadas. O número de boxes é de 28, sendo que apenas metade está ocupada. Do galpão central onde estão instalados 140 módulos, 130 estão ocupados.

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Comunidade

Há uma semana no cargo, Vania Franzim Bertolotto também estabeleceu como missão estreitar os laços do Ceasa com a comunidade. “Estranhei essa distância, essa frieza. Temos de ter um envolvimento social”, afirma.

Compartilha da mesma opinião o permissionário Cássio Gonçalves D’Abril, que trabalha no local há cerca de seis anos. “Todas as propostas dela já estavam dentre as intenções (de quem trabalha na unidade). Faltava só um incentivo”, explica.

Bertolotto assumiu a função exercida há aproximadamente 24 anos por Édson Guarido Ribeiro. Ontem à tarde, o JC tentou encontrá-lo para comentar a nomeação de Bortolotto - cujo cargo também é de confiança - mas não conseguiu localizá-lo .

A atuação dele também faz parte da história do Ceasa, cuja fusão com a Companhia de Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Cagesp) resultou em 1969 na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). Desde o início, a empresa centraliza o abastecimento de boa parte do País e consolidou sua atuação nas áreas de comercialização de hortícolas e armazenagem de grãos. Em 1997, a Ceagesp foi federalizada e vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

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