A dona de casa Rosemilda Carvalho, 26 anos, disse que se sentiu humilhada com o concurso público realizado em Pongaí.
Ela se inscreveu para concorrer a uma vaga de servente, mas não passou nem da primeira fase. Com o segundo grau completo, Rosemilda diz que já participou de vários concursos e atualmente faz curso de administração.
“Me senti humilhada porque teve pessoas que não sabem ler nem escrever direito e foram aprovadas. E eu que perdi um tempão estudando não passei nem para a segunda fase”, reclama.
Rosemilda contou que, mesmo tendo o segundo grau completo, fez inscrição para uma vaga de servente imaginando que seria mais fácil ser aprovada. “O desemprego está grande.” Ela diz ter ficado animada com a prova escrita. Segundo ela, as questões de português, matemática, geografia e história foram muito fáceis. E se surpreendeu ao saber que não havia sido aprovada.
“Eu nunca vi um concurso que você não fica com as respostas das questões para conferir mais tarde.”
A mesma crítica foi feita por Elaine Cristina Cardoso Guimarães, 24 anos. Ela também disse ter estranhado a retenção do caderno com as questões. “Me falaram que eu fui mal na prova, mas não tive como saber as questões que eu errei”, reclama. “As respostas não foram divulgadas. Como vou saber se fui bem ou mal?”
Elaine prestou concurso para técnico de enfermagem. Ela chegou a se classificar para a segunda fase, mas a entrevista também foi “estranha”. “Eles perguntaram o meu nome, se era casada, se tinha filhos e se eu trabalhava. (A entrevista) durou no máximo cinco minutos”, lembra.
Segundo Elaine, muitas pessoas ficaram “indignadas” com o resultado do concurso, mas não se manifestam com medo de eventuais represálias. “Se todo mundo deixar passar, isso vai acontecer sempre”, acredita.
Outro que prestou concurso e acha que houve “maracutaia” foi o desempregado Aparecido José Rodrigues, 45 anos, que tentou uma vaga para zelador braçal. Ele disse ter presenciado um candidato entregar a prova incompleta e mesmo assim foi classificado para a segunda fase.
Sem saber ler e escrever muito bem, Rodrigues achou a prova difícil. Ele não conseguiu se classificar para a entrevista.