Turismo

Rumo às cidades históricas

Por Eliane Barbosa | Colaboração: Governo de Minas e Instituto Estrada Real
| Tempo de leitura: 5 min

A proximidade das principais cidades históricas do Estado - que possuem um acervo considerável de arte barroca e oferecem um turismo de alto interesse cultural - também é responsável pela preferência dos turistas na escolha de seu destino de viagem.

Num raio que vai de 100 a 200 quilômetros, cidades como Ouro Preto, Mariana, Tiradentes e São João Del Rey são paradas obrigatórias de uma viagem ao berço do Brasil Colônia. Etapas para serem cumpridas por quem quer voltar ao tempo da Estrada Real conhecendo a história, a arquitetura, museus, igrejas, comidas típicas e artesanatos dessas localidades, cada uma com características próprias, confirmando a valorização do patrimônio Histórico e Cultural de nosso País.

Para janeiro, o Sesc está anunciando uma excursão rodoviária para as cidades mineiras, com saída no dia 16 e retorno no dia 22. A CVC e outras operadoras e agências de viagens também têm pacotes para lá.

A cerca de 200 quilômetros de Belo Horizonte e pouco mais de 480 quilômetros de São Paulo, Tiradentes, cidade com cerca de 7.500 habitantes, oito igrejas, sete capelas que representam as estações da via sacra e apenas um padre, encanta.

Pequena, sossegada e charmosa, Tiradentes é das cidades históricas de Minas Gerais que melhor preservam sua rica arquitetura colonial, estampada em casarões e igrejas, onde predominam obras barrocas.

Quem caminha por suas ruas estreitas e becos tem uma visão viva da história do Brasil Colônia.

Os telhados dos casarios, o calçamento feito com grandes pedaços de pedra São Tomé - as chamadas “solteironas”, pois não se unem umas às outras - e os moradores se locomovendo montados em cavalos ou em carroças remetem ao passado.

Tiradentes desenvolveu-se por causa da busca do ouro, encontrado pela primeira vez às margens do Rio das Mortes, que originou o Arraial de Santo Antônio do Rio das Mortes, seu primeiro nome.

Foi fundada em 1702 por João de Siqueira Afonso, descobridor de muitos filões de ouro na encosta da Serra de São José.

Com o crescente número de garimpeiros, o arraial tornou-se cidade em 1860. O nome Tiradentes é uma homenagem a Joaquim José da Silva Xavier, personagem central da Inconfidência Mineira.

Entre os melhores programas de Tiradentes estão as caminhadas pelas ruas históricas, com lojas de artesanato, ateliês, antiquários e charmosos cafés. Destaque para a Matriz de Santo Antônio, um dos mais belos templos barrocos do Brasil. Construída de 1710 a 1810, é considerada a igreja mais rica do País. Seus altares foram revestidos com 482 quilos de ouro.

Muito mais perto de Belo Horizonte ficam Ouro Preto e Mariana. A viagem até Ouro Preto, a antiga “Vila Rica” dura pouco mais de uma hora de ônibus cruzando-se o chamado Triângulo Ferrífero (daí o nome ouro e ferro).

Assim como ocorre com Tiradentes, é imprescindível andar por suas ruas calçadas com pedras “pé-de-moleque” executadas por crianças escravas.

O passeio deve começar na praça Tiradentes e prosseguir por um sobe e desce de ladeiras que exigem pernas fortes e calçado apropriado.

Merecem atenção a Matriz de Nossa Senhora do Pilar erguida entre 1711 e 1723, quando a cidade estava no auge de sua riqueza; o monumento em homenagem ao alferes Joaquim José da Silva Xavier que foi esquartejado em plena praça pública e o antigo prédio da cadeia e da Câmara Municipal onde hoje está instalado o Museu da Inconfidência.

Com mais de mil pelas e 40 mil documentos, lembra um antiquário, já que o prédio está passando por um processo de restauração.

Outro local interessante é o Panteão dos Inconfidentes, para onde foram levados os restos mortais de Tiradentes e as igrejas de Nossa Senhora do Carmo e a de São Francisco de Assis. Pertinho de Ouro Preto - 12 quilômetros apenas - localiza-se Mariana que também exige belos exemplares de arte sacra na Igreja de São Francisco de Assis e na Igreja Nossa Senhora do Carmo.

Fundada em 1696, Mariana recebeu esse nome em homenagem a uma congregação religisoa, é a cidade mais antiga de Minas e foi sua primeira Capital. As igrejas mais bonitas são a Catedral Basílica da Sé, que tem como maior atração um órgão alemão de 942 tubos, fabricado em 101 e onde ocorrem concertos às sextas-feiras e domingos, pela manhã e a Igreja de São Francisco de Assis.

Outras atrações são o Museu Arquidiocesano de Arte Sacra e a Basílica de São Pedro dos Clérigos.

Visite ainda a casa onde morou Cláudio Manuel da Costa e onde foi articulada a Inconfidência Mineira.

Próxima também de Belo Horizonte, fica Congonhas - hoje não mais Congonhas do Campo.

Distante apenas 82 quilômetros da Capital, a cidade reserva aos visitantes, entre outros trunfos, o Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos em cujo adro estão as estátuas em pedra-sabão dos 12 profetas.

São as obras mais importantes de Aleijadinho que ainda se encarregou de construir bem em frente à igreja, as capelas dos Passos da paixão, que passam por processo de restauração.

São João del Rei, com quase 100 mil habitantes, dista 182 quilômetros de belo Horizonte, sobressaindo-se por conta de sua arquitetura colonial. A cidade que nos deu Tancredo Neves, entre outros, recebeu esse nome em homenagem ao então rei de Portugal, Don João VI.

A cidade dos sinos e das casas de “eiras e beiras” como o Solar dos Neves - leve, como eu, uma réplica para a casa - é rica também em artesanato, icluindo artigos de madeira, pedra, tecido, crochê, cerâmica e gesso.

Ande sem pressa, entre em suas inúmeras igrejas como a de Nossa Senhora do Pilar e São Francisco de Assis (olha eles aí, novamente) e se apaixone pelas fachadas das residências do século 18 em estilos variados, incluindo o urbano, rural, mouro, gótico, neoclássico e eclético.

Viagem literal ao Brasil Colônia, berço de nossa civilização.

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