“Pescador tem sempre a fama de ‘aumentar’ um pouquinho o ‘causo’, já estou até acostumada quando digo que pesquei três tilápias numa só isca ou que joguei a isca e caiu direto na boca de um enorme pacu e ninguém acreditar, ou sempre que pego o maior peixe nunca tenho uma máquina para fotografar, mas essa é verdade (também).
Eu e minha família fomos passar as férias no Guarujá, mar, um dos melhores lugares para pescar, tudo perfeito, aquela paisagem maravilhosa, final de tarde, mais ou menos seis horas da tarde, eu e minha prima Fernanda (foi aí que tudo começou nossa parceria de pesca), estávamos andando a beira mar conversando, a noite caindo, quando de repente vimos algumas ‘coisinhas’ reluzirem, interessadas chegamos mais perto até que uma onda veio com muita força e a surpresa... estava passando um cardume de manjubas e as ondas as jogavam para areia e elas ficavam pulando e tentando voltar para água, saímos correndo até o carro para chamar meus pais e meus irmãos e pegar um isopor para pegar algumas manjubinhas, quando voltamos, a praia estava lotada de peixinhos brilhando e alguns vencidos já morrendo, enchemos o isopor, quando percebemos que já estava cheio de gente pegando também.
Passamos a semana comendo manjubas, de tudo quanto é jeito, no almoço, no jantar, como aperitivo. No outro dia fomos pescar de escuna e eu pesquei um polvo, bom, mas essa já é uma outra estória de pescador.”
Talita De Paula Grandi é pescadora e contadora de histórias