Madri - O técnico Vanderlei Luxemburgo tem um novo capítulo na sua lista de saídas tumultuadas dos clubes onde trabalha. Após rescisões conturbadas no Cruzeiro (2004), Santos (2004 e 1997), Palmeiras (2002) e Corinthians (2001), Luxemburgo, demitido dia 4 deste mês pelo Real Madrid, cobra do clube espanhol o pagamento de salários até 30 de junho de 2006, quando expiraria o seu contrato, firmado em 30 de dezembro de 2004.
O Real, porém, aceita pagá-lo somente até o dia 31 de dezembro de 2005. Se tiver razão, Luxemburgo vai receber cerca de R$ 2 milhões a mais do que o clube quer pagar. “Não há acordo”, disse Fernando Pérez Espinosa, advogado de Luxemburgo, após sair de uma reunião ontem com seu cliente e Antonio Vázquez, representante do Real, na Cidade de Futebol de Las Rosas (centro de treinamento da federação espanhola).
O mediador do encontro foi José Javier Forcén, presidente do Comitê Jurisdicional de Arbitragem e conciliação da Real Federação Espanhola de Futebol. Mas como Luxemburgo e Real não chegaram a um acordo quanto a rescisão contratual, as partes têm um prazo de 15 dias para apresentarem ao Comitê seus argumentos sobre o imbróglio. “Agora vamos mostrar as alegações até 30 de dezembro”, disse Espinosa.
Luxemburgo não falou. Seu advogado, aliás, havia denunciado o Real a um programa de rádio local, antes da reunião, por descumprir o contrato. “Luxemburgo fez um documento, o primeiro, com cláusulas por trimestres e depois o federativo. Este tem como garantia que se o treinador é demitido, o clube deve pagar a ele até o término do contrato. Portanto, há duas cláusulas distintas, mas é normal. É o que se faz, não uma exceção”, explicou Espinosa.
A assessoria de imprensa do Real informou que ninguém iria se pronunciar sobre o assunto. Luxemburgo deve vir ao Brasil até a próxima quarta-feira, quando vai assinar contrato de dois anos com o Santos.