Economia & Negócios

Vacinação contra aftosa atinge 99,9%

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

A segunda etapa de vacinação contra a febre aftosa na região abrangida pelo Escritório de Defesa Agropecuária (EDA) de Bauru, realizada em novembro, terminou com 99,9% do gado imunizado. O índice supera o alcançado na primeira fase, ocorrida em maio - com 99,75% de cobertura vacinal - e também o resultado geral obtido no Estado, que fechou com a marca de 99,6% de todo rebanho. As informações foram divulgadas ontem.

De acordo com o diretor do EDA - que engloba 15 municípios -, Mauro Braga Mello, do total de 505 mil animais suscetíveis à doença, apenas 511 não foram vacinados. Um auto de infração já foi efetuado em uma propriedade rural da região com 50 bovinos. A multa para quem não imunizou o rebanho é de R$ 66,50 por animal.

“A campanha terminou no dia 30 de novembro e os criadores tiveram até 7 de dezembro para enviar ao EDA os comprovantes de vacinação. Quem imunizou o gado mas não nos informou, também é autuado. Neste caso, a multa é de R$ 49,50 por cabeça”, explica Mello.

No caso em que o criador vacinou mas não comunicou o EDA, ele terá 15 dias - a contar da visita do veterinário à propriedade - para apresentar sua defesa. Depois disso o caso é encaminhado ao escritório de Campinas, que coordena o EDA de Bauru. “Quando o caso volta para nós, o pecuarista tem mais 15 dias para se defender antes da questão ser julgada em segunda instância. Se ele perder, pagará a multa”, acrescenta Mello.

Vacinação assistida

No momento, os veterinários do EDA ainda estão trabalhando na varredura determinada pelo governo do Estado, em busca de eventuais casos de aftosa - nenhum foi registrado na região de Bauru. Mas a partir de janeiro começarão as visitas junto às propriedades cadastradas na escritório que não enviaram o comprovante de vacinação.

“O cadastro é a base que indicará quais pecuaristas não nos informaram sobre a vacinação. É preciso ir em cada um desses locais, pois pode acontecer do criador ter vendido todo o seu rebanho, por exemplo. Em todos os lugares que o gado não tiver sido imunizado, nossos veterinários farão a vacinação assistida. Mas a multa já será aplicada”, ressalta o diretor do EDA.

De acordo com ele, desta vez houve um número maior de propriedades que participaram da campanha de vacinação, na comparação com a etapa realizada em maio. Na opinião de Mello, isso ocorreu em função da preocupação dos criadores quanto aos casos de febre aftosa registrados no Mato Grosso do Sul (MS), em outubro.

O diretor do EDA de Bauru faz uma avaliação positiva sobre a campanha de novembro. “O índice de cobertura vacinal foi satisfatório, mas a nossa meta sempre é chegar a 100%. Espero que consigamos isso no próximo ano”, projeta.

Na campanha de vacinação realizada em maio, o rebanho na região abrangida pelo EDA contabilizava 510 mil animais - um pouco acima do atual número. Em maio, a cobertura vacinal foi de 99,75%. Em novembro do ano passado eram 530 mil animais, sendo que 99,03% deles foram vacinados.

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A doença

A febre aftosa é uma enfermidade altamente contagiosa que ataca todos os animais de casco fendido: bovinos, bubalinos, suínos, ovinos e caprinos. A doença é produzida por, pelo menos, seis tipos de vírus. Não há transmissores de aftosa. O vírus é vinculado pelo ar, água e alimentos, apesar de ser sensível ao calor e à luz.

O vírus se isola em grandes concentrações no líquido das vesículas dos animais, que se formam na mucosa da língua e nos tecidos moles em torno das unhas. O sangue contém grandes quantidades de vírus durante as fases iniciais da doença, quando o animal é muito contagioso.

A gravidade da aftosa não decorre apenas das mortes que ocasiona, mas principalmente dos prejuízos econômicos aos pecuaristas. A perda de apetite causada pela doença resulta em perda de peso do gado, quebra da produção leiteira, crescimento retardado e menor eficiência reprodutiva.

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