Muitas pessoas encaram o banho como um procedimento rotineiro e automático, como escovar os dentes ou beber água. Ou seja, algo que deve ser feito apenas por necessidade. Mas o banho pode ser muito mais do que isso. Pode ser um momento para relaxar, para cuidar do corpo e para se autoconhecer.
De acordo com a técnica esteticista Marylene Padilha Granna, o banho é o momento ideal para massagear a pele, o couro cabeludo e descansar o espírito. “Todas as pessoas deveriam enxergar no banho uma ocasião para sentir o próprio corpo, para refletir sobre os acontecimentos do dia e para ficar em paz consigo mesma. É um momento de interiorização”, afirma.
Mas para que o banho seja completo em relaxamento e cuidados com o corpo, é preciso ter alguns cuidados com o tipo de sabonete, de xampu e com a temperatura da água, pois o uso indiscriminado de produtos químicos e a temperatura excessiva da água podem transformar esse hábito saudável em um prejuízo da própria saúde.
“O banho quente e o uso de sabonetes e xampus apenas perfuma a pele. Seu uso deve ser mais restrito, porque a ação detergente do sabonete retira da pela uma oleosidade invisível, rica em vitaminas importantes, entre elas a vitamina D”, salienta o dermatologista Isaac Larmond.
Segundo a dermatologista Priscila Akao Mori, o tipo de sabonete e de xampu são importantes para garantir a saúde da pele e dos cabelos. “As indicações de sabonete e xampus para determinado tipo de pele ou cabelo não são uma jogada de marketing, pois cada produto tem uma composição química diferente e apropriada para cada pessoa”.
Quando o assunto é a temperatura da água, Larmond explica que o banho muito quente dilata os poros e infiltra calor externo na pele. Além disso, pode provocar desequilíbrios térmicos ou a perda da resistência imunológica (provocando gripes e tosses) se, após o banho quente, a pessoa se expuser ao vento, à chuva, ao ar condicionado ou à friagem.
Dependendo de cada organismo, do clima e de cada situação de saúde, o banho quente ou morno pode causar mais danos do que se imagina. O ideal é um banho entre o morno e o frio.
Larmond explica também que esfregar-se com buchas naturais é uma boa maneira de ativar a circulação da pele. “Isso provoca uma vasodilatação periférica, que permite uma descarga de toxinas do sangue, realizando assim uma higiene interna também”.
Esse banho, mais natural, evita o choque térmico, pois traz o calor concentrado dentro do corpo para a periferia, protegendo melhor o organismo do frio ou do calor excessivo do ambiente externo e melhorando a resistência imunológica. O banho quente, ao contrário, não remove o calor interno excessivo e pode contribuir para sua elevação. Para estimular o organismo, combater as gripes e resfriados, Larmond recomenda o banho frio, rápido e executado com fricção em todo o corpo.
Aliás a fricção, ou melhor, a bucha é um assunto que causa polêmica entre os profissionais da área de dermatologia. Para Mori, a bucha deveria ser um objeto de uso pessoal, como a escova de dentes. Já para Larmond, não há grandes problemas dividir a mesma bucha. O que você acha?
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Origem do banho
O banho tem sua origem no Shintô, religião original do Japão que cultua o sagrado na natureza, enfatizando primordialmente a purificação. A imersão em uma fonte de água termal era um ato de limpeza religiosa e, ao mesmo tempo, um momento para contemplar as forças elementares do Universo, com a ajuda da meditação induzida pelo banho.
No Brasil, o hábito do banho é uma herança indígena. Os índios costumam banhar-se várias vezes ao dia. Essa prática está presente em vários dos seus rituais, exercendo funções específicas.