Bairros

Aos 15 anos, um novo Mary Dota

Fábio Marinari
| Tempo de leitura: 2 min

Inaugurado em 8 de dezembro de 1990, o Núcleo Habitacional Mary Dota, localizado na região Leste da cidade, foi considerado o maior conjunto de moradias da América Latina, com 3.638 residências. No mês de seu aniversário de 15 anos, o bairro ainda mantém o título de grandiosidade, porém, se forem considerados apenas os conjuntos horizontais, de casas térreas. A informação é de Edison Gasparini Júnior, presidente da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab), órgão responsável pelo empreendimento em parceria com a Caixa Econômica Federal (CEF), que financiou a venda das moradias.

Passado todo esse tempo, o bairro foi um dos que mais evoluiu. Tem um comércio forte e se transformou num centro de prestação de serviços públicos e privados tanto para a população do Mary Dota quanto para os moradores das bairros vizinhos. No entanto, o crescimento também trouxe problemas, como aponta o arquiteto e professor da Unesp, José Xaides. O trânsito de veículos e pedestres sofre com o subdimensionamento das ruas e das calçadas. Além das queixas dos habitantes, que cobram a implantação de uma creche, a reabertura do pronto socorro, melhorias no transporte coletivo, recuperação da ponte Ayrton Senna e a permanência da Base Comunitária da Polícia Militar, que pode ser transferida por estar localizada num terreno que deveria ser praça pública.

Mas as dificuldades não param por aí. A maior delas é a dívida dos mutuários com a Cohab. O valor chega a R$ 16 milhões e o processo de retomadas cresceu 150% em 2005, se comparado ao ano anterior. Porém, para Gasparini, essa porcentagem não está ligada diretamente como a inadimplência. “São processos antigos, cujas decisões saíram só agora”, diz.

Mesmo assim, a inadimplência dos mutuários do Mary Dota representava até o último dia 10,66% dos contratos ativos. Segundo Paulo Ferreira, presidente da Associação Comunitária do bairro, a forma de pagamento é injusta, pois a dívida cresce a cada dia que passa. “É uma bola de neve”, comenta.

Nesses 15 anos, muitos acontecimentos mudaram o dia-a-dia dos moradores do núcleo. Adolescentes que viveram toda a infância nas ruas do Mary Dota, hoje já são mães precoces.

Os primeiros a ocuparem as moradias, um dia após a entrega das chaves, fugiam desesperados do aluguel. Antes mesmo da assinatura dos contratos, em 30 de dezembro de 1990, muitas pessoas já habitavam o bairro. Alguns se recordam da ausência de muros entre os quintais, outros lembram de fatos curiosos, como a explosão de vazamentos de água nas ruas, provocados por falhas no sistema hidráulico.

No meio de tudo isso, parte da comunidade se esforça para melhorar a qualidade de vida dos cidadão. Entre eles está Válter Ferreira Júnior que, com o apoio das mães de algumas crianças, toca a Sociedade Bola de Ouro, dando oportunidade para que meninos entre 6 e 15 anos pratiquem esportes no período em que não estão nas escolas.

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