Bairros

Mais da metade está atrasada com a Cohab

Fábio Marinari
| Tempo de leitura: 3 min

Cerca de 66% dos mutuários do Mary Dota estão encontrando dificuldades para pagar em dia as prestações do financiamento da compra de suas casas, segundo informações da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab). Dos 3.225 contratos ativos do bairro com a Caixa Econômica Federal, 2.137 estavam atrasados até o último dia 10 de dezembro.

No entanto, para o presidente da Companhia, Edison Gasparini Júnior, essa porcentagem estatística de inadimplentes não condiz totalmente com a realidade, pois os dados também consideram os boletos vencidos há pouco tempo. “Tem mutuário que atrasa por um mês, mas depois consegue pôr a conta dia”, explica Gasparini, que avalia ser de 50% a taxa de inadimplência acima de 3 meses de atraso. A partir do terceiro mês, o contrato da Cohab permite a abertura do processo de retomada da residência, no entanto, o presidente do órgão afirma que esse prazo tem sido ampliado. “Nós procuramos fazer o possível para renegociar a dívida desses mutuários, afinal, não é nossa intenção retirar as famílias de suas casas”, declara.

O montante devido pelos mutuários soma R$ 16 milhões. Por mês, a Cohab tem para receber R$ 625 mil, mas, em média, apenas R$ 230 mil entra nos cofres do órgão. “O sistema financeiro da habitação é perverso para o mutuário”, aponta Gasparini que acha que o Governo deveria subsidiar essas moradias. No formato atual, o financiamento depende apenas do dinheiro do Fundo de Garantia do Trabalhado (FGTS).

Com a falta de pagamento, o maior prejudicado acaba sendo o próprio mutuário, que precisa refinanciar o valor atrasado e, consequentemente, as parcelas, que giram em torno de R$ 157,00 para quem nunca precisou renegociar, sofrem reajustes ou têm o número de prestações ampliado.

Além disso, quando a dívida se estende por muito tempo, o morador corre o risco de perder o seu lar. Somente neste ano, 45 residências foram retomadas pela Cohab. No ano passado essa quantia foi menor: 18. No total, 148 mutuários do Mary Dota perderam suas casas desde a primeira retomada que houve no bairro em 1996.

A situação é tão preocupante que desde 1998 várias ações foram movidas pelos moradores na tentativa de discutir uma revisão contratual. “Essa foi uma forma que encontramos para abaixar o saldo devedor”, explica o presidente da Associação Comunitária do bairro, Paulo Ferreira. Em média, a entidade faz 30 atendimentos por mês. “A maioria dos casos que chegam aqui são de pessoas tentam evitar a perda de suas casas”, relata.

Ferreira afirma que o sistema de financiamento é injusto e explica que se alguém deixar de pagar prestações no valor de R$ 200,00 durante 12 meses, no ano seguinte as parcelas ficariam em torno de R$ 270,00. “Essa dívida é uma bola de neve. Vai aumentando cada vez mais”, reclama.

Para amenizar o problema, o órgão em conjunto com a prefeitura de Bauru está tentando negociar com a Caixa Econômica em Brasília. “Basicamente nós estamos pedindo o prolongamento da dívida, dessa forma, o mutuário pagaria um valor menor, mas o número de anos aumentaria”, explica Gasparini.

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