Não são apenas as curvas e lombadas que merecem a atenção redobrada do motorista nas rodovias. Os viadutos, construídos para ordenar o trânsito nos acessos, como nas entradas de cidades que ficam à margem das rodovias, também representam riscos de acidentes. Só neste ano, nove pessoas morreram em viadutos da rodovia Marechal Rondon, na região de Bauru, aponta levantamento feito pelo delegado titular de Agudos, Eron Veríssimo Gimenes.
O estudo revela que, basicamente, que as causas dos acidentes de trânsito sobre os viadutos são cansaço, sonolência e falta de atenção. Isso tudo deixa o motorista relaxado na direção do veículo. Sem controle, o carro bate na proteção de concreto do viaduto e, dependendo da velocidade, se precipita no vazio, caindo de vários metros. O impacto da queda é violento, com alto risco de causar a morte do motorista e dos ocupantes do veículo.
Foram assim vários acidentes na região. Com nove mortes em viadutos neste ano, Gimenes questionou o Departamento de Estradas e Rodagens (DER) se existem defeitos de engenharia nas construções que contribuiriam para os acidentes. A resposta é de que a rodovia está sendo recapeada e a sinalização dos viadutos está sendo reforçada, mas se não houver conscientização dos usuários de nada vai valer e acidentes graves vão continuar acontecendo, opina o oficial de relações públicas do Policiamento Rodoviário, Fernando Xavier Pinto.
Ele acha que a maioria dos acidentes ocorre porque o motorista está sonolento. “Não são os viadutos que matam, mas os condutores que, por cansaço físico e mental, sonolência ou por falta de visibilidade, batem contra a mureta de proteção”, diz. Para ele, com o motorista nesta situação, mesmo que não houvesse viadutos, os acidentes ocorreriam. Os veículos poderiam bater contra árvores, cair na canaleta e no canteiro que separam as duas pistas.
Mortes
O acidente mais grave registrado em viadutos da rodovia Marechal Rondon entre o final de 2004 e novembro deste ano matou quatro pessoas. Foi em fevereiro deste ano, no viaduto de Borebi. Um Gol de Bauru, ocupado por quatro pessoas, bateu contra a proteção de concreto existente entre as duas pistas e caiu na pista debaixo.
Com o impacto, o veículo incendiou-se e quatro pessoas morreram carbonizadas. Todos os ocupantes do carro eram jovens.
Em maio deste ano, uma Blazer de Pereira Barreto caiu no vão do mesmo viaduto, deixando dois mortos. No ínicio de junho deste ano, próximo ao acesso às penitenciárias 1 e 2 de Bauru, outro veículo bateu contra a proteção do viaduto. Uma pessoa morreu.
No mês passado, uma pessoa morreu no viaduto da Rondon, em Cafelândia, quando o veículo no qual ela era passageira bateu contra a mureta de proteção e caiu numa ribanceira. Os viadutos de maior risco são: do trevo da Duratex, de acesso ao Pexe-Loco viaduto do Abacaxi e viaduto de Borebi.