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Japoneses migram para fé ocidental

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

A união da colônia japonesa em Bauru ainda resiste ao tempo. Os anos passam, as gerações mais antigas deixam história, as “novidades” de cada época são incorporadas, mas a maioria dá um jeito de continuar junta. Se reúne até para celebrar um Deus cujos mandamentos balizam especialmente o modo de vida ocidental. Longe dos templos budistas e xintoístas, se encontram para orar em igrejas católicas e evangélicas, onde fiéis de olho puxado são predominantes.

É o caso, por exemplo, da Pastoral Diocesana Nipo Brasileira de Bauru. O grupo, que recebe descendentes de outras nacionalidades, participa de missas mensais na casa de um dos membros. “Depois, fazemos uma pequena confraternização. Também atuamos na área de assistência social”, explica o católico Assahi Kawaguti. Com pais budistas, ele conta que entrou para a religião quando ainda era estudante secundarista.

Na ocasião, um movimento denominado Círculo Católico Estrela da Manhã lhe chamou a atenção, nunca mais desviada. Até hoje, embora cercado por nisseis e sanseis, acompanha as celebrações em língua portuguesa, assim como acontece na Igreja Aliança Cristã e Missionária de Bauru, fundada por um missionário evangélico de ascendência japonesa, nascido nos Estados Unidos.

Língua

“Aqui em Bauru não, mas lá em São Paulo temos culto com tradução em japonês. Alguns são só em japonês mesmo. A gente não tem enfoque só para eles, mas percebemos que fica mais fácil a aproximação (entre os próprios japoneses)”, explica o pastor Celso Massayuki Nakamae. Se não estivesse correto, dificilmente Mitsuo Namba levaria adiante a proposta de construir em Bauru uma unidade da Igreja Evangélica Holiness do Brasil.

“No mais tardar, a previsão é que (o prédio) comece (a ser erguido) entre fevereiro e março”, informa Namba, também pastor evangélico. De acordo com ele, a comunidade japonesa teria assimilado religiões mais fortes no mundo ocidental porque, ao chegarem no País como imigrantes, tentaram ganhar a simpatia dos brasileiros. Depois disso, as novas gerações passaram a encontrar dificuldade para acompanhar celebrações somente em língua japonesa.

O entrave permanece inclusive atualmente, mas deve ser superado pela Associação Religiosa Nambei Hongangi de Bauru, onde os sacerdotes budistas adotam apenas a língua japonesa para fazer a celebração. “Estamos em negociação para trazer (um sacerdote) que fala o português e o japonês. Vamos fazer da tripa, coração”, afirma o relações públicas da associação, Massaru Ogino.

De acordo com ele, apesar da dificuldade, um número crescente de jovens de outras ascendências os tem procurado com interesse em conhecer a filosofia. Até descendentes de japoneses que optaram por outras religiões, eventualmente, freqüentam os templos. “Uma característica do budismo é o não sectarismo. Qualquer um pode seguir ou sair”, conclui Ogino.

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Afinidades

Facilidade de comunicação, identificação, afinidades pela música e gastronomia são alguns dos fatores que justificam o forte elo de ligação entre as famílias japonesas.

“Eles naturalmente confiam nos japoneses porque culturalmente a palavra tem valor”, explica o pastor evangélico Mitsuo Namba. De acordo com ele, a história de imigração das famílias também conta a favor. “Não posso dizer com certeza (as razões que justificam a união), mas tudo leva a crer que ao rezar em comunidade, eles têm mais facilidade de se entrosar. A integração é maior entre os pares”, especula Assahi Kawaguti.

Na opinião dele, uma outra questão ainda é levada em conta: a maioria dos descendentes de famílias japonesas não é tão extrovertida quanto os brasileiros. Além disso, acrescenta o vereador Futaro Sato, existem os costumes e tradições familiares ainda mantidos.

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Xintoísmo e budismo

O xintoísmo é uma religião genuinamente japonesa. Era ela quem prevalecia no antigo Japão, explica o relações públicas da Associação Religiosa Nambei Hongangi de Bauru, Massaru Ogino. Embora não tenha fundador, escrituras sagradas oficiais ou dogmas, o xintoísmo reconhece um poder sagrado que se acha difundido na natureza.

O xintoísmo - liberto tanto das influências budistas como dos costumes do xintoísmo popular - foi proclamado religião oficial pelo imperador Meiji, em 1868. O xintoísmo nacionalista exaltava a raça japonesa e divinizava o imperador. Mas no final da segunda guerra mundial, os Estados Unidos o obrigaram a desfazer o mito de sua divindade.

Já o budismo é originário da Índia. Ele foi acolhido e difundido no Japão entre a nobreza, por ter pensamento teórico mais racional. Os ensinamentos de jôdo (Terra Pura) do budismo foram difundidos pelo desejo de seus seguidores de, por exemplo, deixar esta vida serenamente e encontrar a paz eterna no paraíso.

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