Tribuna do Leitor

Natal todos os dias


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Somos diferentes no Natal. Nas festas natalinas acontece algo em nível pessoal, social e simplesmente humano. Somos diferentes, ou melhor, tornamo-nos diferentes.

Movidos por um secreto impulso, apresentamos atitudes e comportamentos diferentes. Diríamos que entramos num jogo no qual todos nos empenhamos para ser mais amáveis, mais generosos, mais felizes, melhores. Os inimigos buscam se perdoar, os casais tentam superar os conflitos, os pródigos voltam à casa paterna, os pobres tentam ser ricos e os ricos arriscam-se a ser generosos, os grandes tentam ser crianças. Até os guerreiros fazem trégua e um cessar fogo no Natal.

Pensando bem, é algo mais que um jogo, uma comédia, são comportamentos que nos vêm de dentro, pois há algo ou “alguém” que nos faz ser verdadeiros seres humanos. Entramos neste fogo porque no Natal um Menino nos é dado, e quando há uma criança por perto o jogo fica mais fácil, mais natural. O Menino de Belém convida, pela voz dos anjos, todos os homens de boa vontade a contribuir a fraternidade, a edificar a paz.

O seu coração de menino e de pobre demonstra uma clara predileção pelos pequeninos e pobres da nossa sociedade. Deveria ser Natal todos os dias! Em momento algum pode se congelar a bondade natural do nosso coração humano. Todos os dias há um Menino entre nós convidando-nos a jogar o melhor dos jogos: o jogo de ser verdadeiramente irmãos. Sempre é Natal, porque todos os dias Deus desce a nós para nos ajudar a ser como Ele fez: Filho de Deus e irmão dos “pequeninos”. Deixe que o verdadeiro espírito do Natal irrompa em sua vida durante todas as horas e dias de 2006. Supliquemos: “Menino de Belém, ensina-nos a repartir o pão, nosso tempo, nossa vida, para que nossa solidariedade se manifeste em gestos concretos de serviço comunitário de entreajuda e participação. E nosso Natal, então, será um Natal de verdade.”

Isabel Ramos

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