Geral

Jovens de Bauru vão passar férias de verão trabalhando na neve

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Um grupo de bauruenses está aproveitando o verão brasileiro para trabalhar no inverno norte-americano. Deixando de lado o Natal e o Ano Novo com suas famílias e abrindo mão do Carnaval, eles esperam aprender uma nova cultura e, quem sabe, economizar algum dinheiro numa região na qual a temperatura pode chegar a dez graus negativos.

Os seis bauruenses que embarcaram para o estado de Winsconsin deixaram Bauru na quinta-feira e voltarão apenas em março. Nos Estados Unidos, irão trabalhar como salva-vidas no balneário turístico de Winsconsin Dells, cidade especializada em parques aquáticos cobertos. Enquanto do lado de fora neva, dentro do parque os turistas se divertem nas piscinas climatizadas.

Rosemberg de Sousa, Roger Guedes, Carlos Jacobsen, Felipe Nardi, Vitor Miller e Camila Siécola já estão em solo americano, onde se juntaram a outros 14 brasileiros para receber o treinamento técnico para o trabalho temporário.

“É a realização de um sonho”, contava Souza, 22 anos, televendedor, horas antes da viagem. Ele contou que a possibilidade de trabalhar no parque para auxiliar o custeio da viagem foi fundamental para que pudesse embarcar. “Acho importante ter essa experiência, agregar esse trabalho no currículo”, observou.

Como é a primeira vez que vai para fora do País, ele teme as diferenças culturais, apesar das orientações que recebeu de Rejane Corrêa, psicóloga da empresa que intermediou a contratação dos bauruenses. “A primeira barreira é o clima. A alimentação também é diferente e, além disso, os americanos não têm o mesmo calor humano dos brasileiros. São mais reservados”, acredita Sousa.

Em Winsconsin Dells, ele pretende trabalhar muito para conseguir economizar dinheiro para tentar custear no Brasil o término da faculdade de marketing de varejo. “Vai depender de como eu me portar lá”, comenta. Segundo a psicóloga, além de trabalhar, eles podem estudar o idioma, pois instituições como igrejas e universidades oferecem o curso gratuitamente.

A família, de início, não acreditou na determinação de Sousa, que começou sozinho a ir atrás da viagem. “Quando eu estava reunindo os documentos foi que caiu a ficha deles”, conta. A partir daí, veio o apoio. “Meu pai me disse: a realização do meu sonho é a realização do seu”, relatou.

Veterano

Companheiro de viagem de Sousa, o estudante de publicidade da Universidade do Sagrado Coração (USC) Carlos Jacobsen, 19 anos, já viajou anteriormente aos Estados Unidos, mas o contexto foi bem diferente. Em julho de 2004, ele passou as férias em pleno verão na ensolarada Califórnia.

“Fui para estudar o idioma e fazer turismo”, conta. Agora, ele pretende ter uma experiência de independência no gelo do inverno americano. “Estou um pouco nervoso, bastante ansioso, mas esse medo é bom”, ponderou.

Diferente do colega, Jacobsen disse não ter receio dos costumes norte-americanos. “O povo lá é bastante educado. Eles são bem corretos”, afirmou. Assumindo ser bastante consumista, o estudante pretende trazer compras de lá. “A esperança do meu pai é que eu economize”, contou.

A família, aliás, também não acreditou muito em Jacobsen quando ele disse que iria novamente para os Estados Unidos. Mas, quando ele começou a correr atrás dos detalhes, a família apoiou. “Só estão tristes de eu não passar o final de ano com eles”, disse. Quando voltar, o estudante acredita que estará mudado. “Talvez eu comece a trabalhar, viver a minha vida”, acredita.

Comentários

Comentários