O vice-presidente da Associação das Empresas do Calçadão (AEC), Francisco Alberto Franco de Bernardes, o Kiko, acredita que se as vendas de Natal seguirem seu curso normal é possível que falte produtos nas lojas, principalmente os mais populares.
Segundo ele, quem ainda não comprou os presentes é melhor se apressar. “Quem quiser ser bem atendido e encontrar o produto que procura precisa antecipar as compras”, recomenda. Kiko argumenta que quanto mais vai se aproximando do Natal, mais cheias ficam as lojas e os vendedores não conseguem oferecer um atendimento adequado aos consumidores.
Além disso, as lojas não devem receber novos produtos antes do fim do ano. Ou seja, elas terão de trabalhar com o que têm em estoque. Como os dias que antecedem o Natal é o momento em que as lojas mais vendem, os presentes mais procurados poderão esgotar.
Isso, segundo Kiko, porque as indústrias não se prepararam muito bem para este Natal. A produção não teve grandes incentivos, prevendo um consumo baixo este ano. No entanto, as vendas surpreenderam.
Segundo Kiko, no domingo passado o consumo já foi altamente satisfatório e, tradicionalmente, as vendas tendem a aumentar com a aproximação do Natal. Principalmente, a partir de amanhã, quando muitas empresas pagarão a segunda parcela ou o 13.º salário integral de seus funcionários.
Comércio de gêneros alimentícios, brinquedos, celulares e calçados são os que mais estão lucrando, segundo Kiko.
Carmen Violante dos Santos, gerente de uma loja de confecção, confirma as informações animadoras do vice-presidente da AEC. “Com certeza, (as vendas deste ano) estão melhores”, afirma.
Na avaliação dela, os preços estão mais acessíveis e as formas de pagamento têm contribuído bastante para atrair os consumidores. “As pessoas entram para comprar duas peças de roupas e saem levando o dobro”, relata.
No começo da tarde de ontem, havia muita gente no Calçadão da Batista de Carvalho, mas menos do que seria normal para essa época. Na opinião dos lojistas, o tempo nublado e o jogo do Mundial Interclubes entre São Paulo e Liverpool contribuíram para afastar os consumidores.
Entretanto, as expectativas eram as melhores possíveis para o período da tarde. “Estamos esperando um domingo melhor do que o da semana passada”, disse Carmen.
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Sem tempo
A correria do dia-a-dia, durante a semana, impede que uma parte da população tenha tempo para sair às compras. Fazer as compras no domingo acaba sendo uma boa alternativa para essas pessoas.
Ontem, no Calçadão da Batista de Carvalho, os consumidores consultados pelo JC apontavam a falta de tempo como o principal motivo por estarem comprando no domingo.
Essa foi a justificativa apresentada por Maria Aparecida, 56 anos, que passeava pelo Calçadão ao lado de Marli Rossini, 51 anos, e Juliana Rossini, 25 anos. Apesar dos vários pacotes de presentes que tinha dentro da sacola, Maria disse que teria de voltar outro dia para comprar os presentes que ficaram faltando. Segundo ela, os preços estavam bons.
A mesma opinião sobre os preços foi compartilhada pelas companheiras e por Michele da Silva, 26 anos, que veio de Pirajuí para comprar no comércio de Bauru, junto com o filho João, 6 anos. Ela disse que esperou receber o 13º salário para sair às compras.
Ana Paula Lopes, 25 anos, disse ter aproveitado que toda a família estava em casa para ir às compras. Segundo ela, durante a semana precisa cuidar da mãe. No domingo, essa tarefa pode ser dividida com outras pessoas. Ao contrário das demais consumidoras ouvidas pelo JC, Ana Paula não achou os preços tão atrativos.
Outra que disse não ter tempo para as compras durante a semana foi Maria do Carmo, 57 anos. Sua companheira, Meire Theodoro, 29 anos, estava gostando do movimento fraco do início da tarde de ontem no Calçadão. “Assim dá para pesquisar com mais tranquilidade.”