Cultura

Culturas preservadas

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

Livros raros e adereços típicos trazem para Bauru uma mostra da cultura amazonense e africana. A iniciativa é do casal Tito Pereira e Sandra Pereira que, desde 1994, vêm compondo o acervo. Atualmente, o Yauaretê, como é denominado, conta com mais de dois mil livros, 20 vídeos e 50 CDs referentes ao folclore e cultura dessas regiões. Porém o material, de grande importância para a preservação da memória e da história brasileira, carece de um local apropriado para conservação e consulta.

O objetivo dos idealizadores é resgatar o folclore, que atualmente é visto como algo exótico. “A maioria não consegue enxergar que o folclore está no nosso dia-a-dia. É tanta correria que passamos por rituais diários, como casamentos e batizados, e nem percebemos que isso também é folclore”, conta Sandra.

Além disso, o casal vê a necessidade de trazer para a cidade os costumes e tradições desses locais para que os brasileiros conheçam as origens do País. “O índio e o negro são o Brasil e, infelizmente, esses dois povos são tratados com muito desprezo pela maioria”, lamenta Tito.

No local, é possível encontrar exemplares raros, como a dissertação do mestrado e a tese de doutorado do sociólogo Florestan Fernandes. Outros livros tão ou mais importantes não podem ser exibidos nas estantes por falta de espaço. “Em 2006, vamos ver a viabilidade de levar o acervo para outro local para que sirva à sociedade. Senão perde o sentido”, diz Tito. O casal também informa que a partir do ano que vem entrará no ar um site sobre o acervo. Atualmente, o local tem registro jurídico e está aberto para consulta.

• Serviço

O Yauaretê fica localizado na rua Manoel Bento Cruz, 11-70. Mais informações: (14) 3227-6347.

____________________

Saudade da Amazônia

O casal se casou em São Gabriel da Cachoeira na Amazônia e há 15 anos se mudou para Bauru. A falta de livros e objetos que remetessem às suas origens foi o que os motivou a iniciar o acervo. “Íamos às biblioteca e a museus e não encontrávamos nada. Então, aos poucos, trouxemos objetos de lá e começamos a pesquisar e comprar livros de outros estados”, lembra Sandra Pereira.

Para batizar o lugar, o nome escolhido foi pensado como uma forma de enaltecer a Amazônia. Yauaretê é uma comunidade indígena, pertencente ao município de São Gabriel da Cachoeira, na Amazônia, cujo significado é “ser onça”. “Foi a maneira que encontramos de prestigiar a região, a cultura indígena e o Brasil”, afirma Tito Pereira.

A valorização das misturas de raças é levada à risca pelo casal. Em sua residência isso fica bem nítido. Tito é negro e Sandra branca, com traços indígenas. Uma de suas filhas se casou com um japonês. Da união, nasceu o meio índio, negro, branco e japonês Seize Viniciu Macedo Kanashiro. O garoto se orgulha dessa miscigenação. “No Dia do Índio ele desfila em todas as salas de aula da escolinha e o mesmo ele faz quando fazem alguma homenagem aos negros”, conta o avô orgulhoso.

Comentários

Comentários