Articulistas

Alerta à região de Bauru


| Tempo de leitura: 3 min

Direto ao assunto: é hora de combater imediatamente a dengue nos 645 municípios paulistas, sob o risco de termos uma epidemia neste verão. Acreditamos que nenhum gestor de saúde quer que essa doença acometa os habitantes de sua cidade, e por isso os esforços devem ser redobrados. A situação da dengue no Estado de São Paulo atualmente é de relativo conforto, sob o ponto de vista macro. O número de casos até dezembro, 5.145, representa apenas 10% do total registrado no auge da epidemia, em 2001, quando 51.668 paulistas contraíram a doença, porém maior que os 3.049 registrados no ano passado.

Estudo divulgado recentemente pelo Ministério da Saúde sobre os Estados com maior probabilidade de transmissão da dengue em 2006 comprova que São Paulo está fazendo a lição de casa, com poucos locais considerados como áreas de risco, segundo o Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti, mosquito transmissor da doença. Nossa preocupação, entretanto, fundamenta-se na falsa sensação de tranqüilidade que pode decorrer da análise superficial dos dados. Os trabalhos de prevenção e controle da dengue devem ser permanentes, uma vez que o mosquito da dengue é, por assim dizer, ardiloso. Adaptado aos espaços urbanos, esse vetor prolifera se houver qualquer descuido.

Por isso, a Secretaria de Estado da Saúde acaba de divulgar um ranking dos municípios paulistas com maior risco de transmissão da dengue em 2006. Foram identificadas 73 cidades com índice de Breteau, que mede a infestação de larvas do mosquito Aedes aegypti, igual ou superior a 1, o que demonstra risco para o próximo ano. O relatório, que pode ser conferido no site www.saude.sp.gov.br, foi produzido com base nos últimos dados informados pelos próprios municípios à pasta. Itapevi, na região metropolitana da Grande São Paulo, lidera o ranking, com elevado índice de 6,5, seguido de perto por Canitar (região de Assis), com 6,3, além de Sabino e Cafelândia, na região de Bauru, ambos com 6,0. O Índice de Breteau aponta a porcentagem de imóveis com criadouros de larvas do mosquito em uma área delimitada, entre 10 mil e 12 m².

Outros municípios sequer informaram à Secretaria os seus índices de Breteau, fato preocupante, pois revela que seus gestores não estão fazendo à devida “lição de casa” para combater a dengue. O SUS (Sistema Único de Saúde), instituído em 1988, pouco a pouco foi descentralizando as ações de gestão em saúde, delegando às prefeituras a tarefa de realizar o trabalho de campo para prevenir e combater doenças como a dengue. São os municípios, portanto, os principais responsáveis pela contratação de agentes que farão visitas aos imóveis, identificando focos do Aedes aegypti e realizando o “corpo-a-corpo” para conscientizar a população. Aos Estados cabe proporcionar o devido apoio técnico para sustentar as ações municipais. Por isso, o governo paulista vem agindo preventivamente neste final de ano, já pensando em 2006. No início do segundo semestre, a Secretaria mobilizou sua vigilância epidemiológica para que, com o fundamental apoio das prefeituras paulistas e de toda a população, propor um plano integrado para conter a doença, evitando um quadro epidêmico. Uma reunião com secretários de Saúde da Grande São Paulo foi realizada em agosto para debater ações conjuntas. Um exército de 900 profissionais da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), órgão estadual, foi a campo para orientar os municípios, principalmente aqueles considerados de maior risco. Em novembro, todas as regiões do Estado participaram de uma teleconferência, aberta a qualquer cidadão, sobre os riscos da dengue. Além disso, milhares de folhetos de alerta estão sendo distribuídos no litoral norte e sul do Estado, onde muitas casas ficam fechadas grande parte do ano, podendo servir de criadouro para o mosquito da doença.

Diretrizes definidas, ações planejadas, alerta feito. É hora de arregaçar as mangas e agir. Com o necessário comprometimento das prefeituras paulistas, aliado ao imprescindível auxílio da população, mantendo os imóveis livres de recipientes com água parada em suas residências, esperamos passar por um verão com muito mais sol e muito menos dengue em 2006.

O autor, Luiz Roberto Barradas Barata, é médico sanitarista e secretário de Estado da Saúde de São Paulo

Comentários

Comentários