Nacional

Credores da Varig rejeitam Tanure

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio de Janeiro - Os credores da Varig, reunidos ontem em assembléia, não aprovaram a transferência do controle da holding Fundação Ruben Berta Participações (FRB-Par) para o grupo Docas, do empresário Nelson Tanure.

Descartada a proposta de Tanure, os credores decidiram aprovar o plano de recuperação elaborado pela administração da companhia aérea. Ainda existem dúvidas, no entanto, sobre a validade da assembléia. A administradora judicial da Varig, a consultoria Deloitte, deu início à assembléia seis horas depois do previsto em razão de uma batalha jurídica travada no Superior Tribunal de Justiça (STJ) entre advogados do grupo Varig.

A assembléia começou por volta das 15h, apesar de o STJ ter decidido manter uma liminar que suspendia a reunião. O grupo Docas vai tentar anular o efeito da assembléia. Segundo o presidente da Varig, Marcelo Bottini, a empresa decidirá como tratar o assunto só depois que o administrador judicial for comunicado. “A princípio, pelas informações que tenho aqui, a assembléia está válida, mas não se sabe o dia de amanhã.”

Credores de peso nas contas da Varig vetaram a proposta de transferência do controle da FRB-Par à Docas, como Infraero, Aerus (fundo de pensão) e Boeing. A proposta foi vetada por 100% dos votos de trabalhadores e de credores com e sem garantias. Os índices de abstenção, no entanto, foram altos: entre os trabalhadores, de 42,9%; entre os credores com garantia, de 6,1%, e, entre os credores sem garantias, de 32,4%. A proposta aprovada pelos credores prevê a conversão de dívidas em cotas de FIPs (fundos de investimento e participações). O plano econômico-financeiro prevê a criação de quatro FIPs.

O FIP-Controle receberá um aporte de todas as ações das devedoras e terá como administrador um banco comercial de primeira linha e um gestor escolhido pelas três classes de credores. Esse fundo terá participações em todos os demais FIPs-Créditos constituídos. Os fundos de créditos serão criados e regulados por credores que decidirem participar.

O atual presidente da Varig exercerá o papel de gestor interino para criar a estrutura dos FIPs e garantir a implementação da recuperação nos moldes do plano. O plano operacional prevê que a Varig chegue ao final de 2006 com 75 aeronaves na frota. Do total, 69 estariam em operação. Hoje, a frota é de 75 aviões, mas apenas 58 estão voando. “Ocorrerão substituições, algumas empresas de leasing podem não querer trabalhar conosco”, afirmou Bottini.

De acordo com o plano, a companhia passará de uma margem operacional negativa de 4,6% em 2005 para um patamar positivo de 8,6% em 2010. O presidente da Varig destacou que, mesmo sem o apoio de um investidor, a companhia conseguiu recuperar três aviões e até o final do mês mais três voltarão a operar. Ele enfatizou, no entanto, que novos investidores são bem-vindos e citou os nomes da TAP e do fundo norte-americano Mattlin Patterson, que já manifestaram interesse em participar da recuperação da companhia.

Comentários

Comentários