Belo Horizonte - Decreto do papa Bento XVI, assinado anteontem no Vaticano, reconheceu um milagre atribuído a Padre Eustáquio (1890-1943), religioso da congregação dos Sagrados Corações que - nascido Humberto van Lieshout, na Holanda - mudou-se para o Brasil em abril de 1925. O reconhecimento praticamente o torna beato.
A oficialização da beatificação se dará com uma celebração litúrgica em data a ser marcada pelo Vaticano, e a Arquidiocese Metropolitana de Belo Horizonte reivindicará que a celebração ocorra na capital mineira.
Desde o início dos anos 60, por iniciativa da Arquidiocese de Belo Horizonte, com a instalação do Tribunal Especial para Instrução da Causa de Beatificação do Padre Eustáquio, os devotos e a igreja brasileira, especialmente em Minas Gerais, aguardavam essa notícia, que foi confirmada ontem pelo arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo.
Desde a sua morte, em 30 de agosto de 1943, a igreja dos Sagrados Corações é conhecida na capital mineira como igreja do Padre Eustáquio - local onde o seu corpo está enterrado, depois de ser transladado, em 1949, do cemitério do Bonfim. A igreja fica no bairro de Padre Eustáquio, cuja rua principal também leva o nome do beatificado padre. Ainda ontem d. Walmor mantinha sob sigilo o milagre atribuído ao padre, que, quando se tornou noviço, em 1913, escolheu Eustáquio como prenome religioso. Mas o biógrafo de Padre Eustáquio, José Vicente Andrade, revelou ontem o milagre reconhecido pelo Vaticano.
Segundo Andrade, Padre Eustáquio teria curado um religioso de Belo Horizonte que tinha câncer na garganta, em maio de 1962. Internado no Hospital das Clínicas, da Universidade Federal de Minas Gerais, o clérigo diocesano Gonçalo Belém Rocha foi mandado de volta para casa pelos médicos quando, no dia da sua cirurgia, foi constatado que todos os problemas diagnosticados tinham desaparecido.
O biógrafo, ex-professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), disse que havia o risco de o padre perder a vida, ou, na melhor hipótese, perder a voz. Foi, então, estimulado por dom João Resende Costa (já morto), então arcebispo, e pelo hoje cardeal dom Serafim Fernandes de Araújo a recorrer ao Padre Eustáquio.
Apesar da adoração ao Padre Eustáquio em Belo Horizonte, a Capital mineira foi o lugar onde ele menos tempo viveu (de abril de 1942 a agosto de 1943). Mas ele já chamava a atenção dos fiéis desde que se instalou em Romaria (MG), em 1925, pela atenção que dava ao enfermos.
A beatificação é o primeiro passo para a canonização. Ou seja, para ser considerado santo, o Vaticano terá que reconhecer, após um outro processo, a realização de mais um milagre por intercessão do Padre Eustáquio.