Mesmo sem o tradicional desfile das escolas de samba - que já não é promovido há quatro anos -, um Carnaval no Sambódromo será realizado. É o que garante o secretário municipal de Cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre, ainda sem definir como será “celebrada” a festa. Ele aguarda uma resposta do Ministério da Cultura (MinC) sobre a inclusão da proposta do Carnaval na lei de incentivo cultural, a lei Rouanet. Conforme informações do site oficial do ministério, no entanto, o projeto ainda não foi avaliado. A resposta definitiva sobre a realização ou não da festa só será dada no dia 30.
Caso a proposta não seja aceita pelo governo federal, será mais difícil a captação dos recursos necessários junto ao empresariado para retirar a cidade da seca de quatro anos sem a tradicional festa popular. “Se o projeto não for aprovado pela lei Rouanet, teremos um atrativo a menos para buscar parecerias privadas”, afirma Vinagre.
Para o secretário, entretanto, este empecilho não vai impedir a realização do Carnaval. “Nós faremos a festa. Talvez as escolas não queiram participar se não houver o dinheiro, mas não deixaremos que a data passe em branco”, garante. A secretaria ainda não definiu como será o evento, caso as escolas não desfilem.
A retomada dos desfiles das escolas de samba - que marcaram época em Bauru nas décadas de 1970, 80 e 90 - vinha sendo dada como certa desde janeiro, com o início da administração Tuga Angerami. Por falta de recursos e de organização das entidades, o Carnaval 2005 foi descartado logo no começo do ano, com a promessa de reorganização e planejamento para a festa de 2006. A idéia da Secretaria de Cultura e da Liga das Escolas de Samba e das Entidades Carnavalescas de Bauru (Lesec) era de promover eventos no Sambódromo e nas próprias escolas, além de tentar obter parcerias com a iniciativa privada, para conseguir recursos.
Em matéria publicada na semana passada pelo JC Cultura, os principais representantes das escolas de samba já estavam desiludidos quanto ao repasse de verba e à viabilidade da realização dos desfiles. De acordo com um integrante de forte influência neste meio, sem dinheiro e há pouco mais de dois meses da data, o desfile já é inviável.
Mesmo que a resposta do governo federal seja negativa, o secretário tem mantido conversas com empresários da cidade e da região para buscar patrocínios privados. “Mesmo que não sejamos contemplados com a lei Rouanet, estamos negociando. Empresas podem entrar com patrocínio e, em troca, ao invés do abate no Imposto de Renda, terão um retorno institucional”, ressalta.
Além dessas negociações, Vinagre se articulou com deputados federais durante a Conferência Nacional de Cultura, realizada na semana passada em Brasília. Contudo, Vinagre preferiu não adiantar em que pé estão as negociações e reafirmou que apenas no dia 30 terá uma resposta concreta.
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Reformas
Como divulgado em matéria do JC Cultura, o Sambódromo não se encontra em condições para receber as escolas de samba, caso haja a liberação de recursos para isso. Questionado sobre a situação, Vinagre afirmou que a Secretaria de Obras já está providenciando os reparos necessários. “O Sambódromo não precisa de grandes reformas. Os banheiros foram destruídos e no local serão instalados banheiros químicos. Além disso, o problema da fiação elétrica está sendo resolvido pela Secretaria de Obras”, garante.
Outro objetivo do secretário é cercar o local com alambrado, para que haja um controle do número de pessoas que assistirão à festa, caso realmente aconteça. “O evento será gratuito, mas por segurança, vamos cercar o local para que todos aproveitem a festa sem se machucar”.
Adriana Fricelli