Um adolescente de 16 anos matou o pai na noite de anteontem em um dos núcleos habitacionais de Bauru. O crime aconteceu durante mais uma das surras que a mãe tomava do pai. O adolescente também foi agredido e reagiu. Num ataque de fúria, ele segurou o pai pelo pescoço e, quando soltou, o homem estava morto. O JC está preservando os nomes dos envolvidos em respeito à família e ao Estatuto da Criança e Adolescente (ECA).
A cena trágica foi assistida por um menino de 7 anos, irmão do adolescente e filho do casal. Foi ele quem recebeu a polícia na casa, localizada na região leste de Bauru. “Meu pai bateu na minha mãe. Meu irmão empurrou ele, que caiu e morreu”, contou.
Em estado de choque, o adolescente ficou sentado no sofá da sala ao lado do corpo do pai, aguardando a polícia chegar. Depois de ser ouvido na polícia, ele foi apreendido na Delegacia da Infância e Adolescência (Diju) e estava à disposição da Justiça. No final da tarde de ontem, o advogado da família tentava o relaxamento da apreensão do menor, alegando legítima defesa, mas até o fechamento desta edição ele continuava na Diju.
Em casos como este, o relaxamento é possível uma vez que o adolescente excedeu na legítima defesa, mas estava sob violenta emoção. O advogado pode alegar que ele não tinha a intenção de matar.
A tragédia abalou a família e todo o bairro. Os familiares não quiseram falar sobre o assunto e o advogado disse apenas que estava tentando liberar o acusado, usando o argumento de legítima defesa. Os vizinhos, que preferiram não se identificar, contaram que as surras eram constantes.
“Ele era um homem possessivo e batia na mulher constantemente, inclusive na frente das crianças”, relatou um dos vizinhos. Outra vizinha lembra que o casal já havia se separado uma vez. “Há cerca de três anos, ela registrou vários boletins de ocorrência contra ele. Eles se separaram, mas depois se reconciliaram. Ela retirou a queixa”, relata.
Uma vizinha ressalta que os dois filhos do casal - o adolescente de 16 anos e o garoto de 7 anos - são meninos de bom comportamento. “Acho que eles conviviam com tanta violência que se tornaram tímidos e bons. Ficavam envergonhados dos escândalos. Era um após o outro. Ele (o pai) era agressivo e vivia alcoolizado. Ele chegava bêbado em casa e espancava a mulher. Não precisava ter motivo”, frisa.
O crime aconteceu por volta das 21h de anteontem. O homem havia chegado em casa e ingerido conhaque e um medicamento usado para tratar epilepsia chamado Rivotril, segundo o JC apurou. O diretor do Instituto Médico Legal (IML), médico Ivan Segura, informou que exame toxicológico e de dosagem alcóolica, cujos resultados deverão sair em dez dias, vão confirmar ou não o uso de bebida e remédio.
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Esganadura
A morte por esganadura, que exige que um agente use as próprias mãos para comprimir o pescoço da vítima, figura como caso raro na polícia. A pessoa morre devido à asfixia mecânica.
Para matar por esganadura é necessário força física na compressão do pescoço por pelo menos três minutos, explica o diretor do Instituto Médico Legal (IML), Ivan Segura. O médico legista lembra que o medicamento apreendido na casa, Rivotril, é próprio para o portador de epilepsia. “O medicamento acompanhado do álcool pode acelerar a embriaguez”, conta.