Brasília - O funcionamento do Conselho de Ética da Câmara, uma das razões para a convocação extraordinária do Congresso Nacional, será interrompido até 9 de janeiro, segundo decidiram ontem seus membros. A última reunião ocorre hoje, mas apenas para definir um plano de trabalho para janeiro.
A partir de então, serão 20 dias de “férias”. “Muitas testemunhas não querem vir no período de Natal e Ano-Novo. Vir para cá para não fazer nada não vale a pena”, disse o presidente do conselho, Ricardo Izar (PTB-SP). Segundo ele, havia uma testemunha prevista para falar hoje, que desmarcou, e outras duas com depoimentos em 4 e 5 de janeiro, que também pediram mudança.
O conselho não pode fazer nada quanto a isso, a não ser remarcar os depoimentos, já que não tem poderes de convocar ninguém, apenas de convidar. Segundo Izar, mesmo com a parada, será possível encerrar pelo menos seis processos contra deputados durante a convocação, que termina em 14 de fevereiro: os de Pedro Henry (PP-MT), João Paulo Cunha (PT-SP), Professor Luizinho (PT-SP), João Magno (PT-MG), Josias Gomes (PT-BA) e Roberto Brant (PFL-MG). Faltariam ainda outros cinco.
Durante a reunião de ontem, à qual compareceram 10 dos 15 titulares do conselho, ficou claro o temor dos deputados de acabar sendo responsabilizados pela paralisia na apuração do escândalo do “mensalão”. Izar, entre outros, pôs a culpa em uma convocação feita sem planejamento. “Nós dependemos do plenário para contagem de prazos nos processos, e só há plenário a partir de 16 de janeiro. O ideal seria ter uma convocação plena do Congresso”, afirmou.
Até o meio de janeiro, apenas comissões, CPIs e o conselho, teoricamente, funcionam, enquanto o plenário fica fechado. Chico Alencar (PSOL-RJ) teve opinião parecida. “Essa convocação é malfeita. Não vamos nos iludir e achar que com essa convocação os deputados vão trabalhar no fim de ano”, disse. “Eu mesmo prefiro ficar com os meus filhos.” José Carlos Araújo (PL-BA) defendeu a decisão do conselho de fazer um intervalo argumentando que é complicado para parlamentares se deslocarem de seus Estados a Brasília durante as festas de fim de ano. “Os vôos estão lotados. Estou na lista de espera”.