Polícia

‘Meu filho é vítima’, diz mãe de jovem

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Ainda com o olho esquerdo roxo, com o braço machucado e unhadas nos ombros, a mãe do adolescente que matou o pai na segunda-feira chamou o JC para expor, segundo ela, sua maior ferida: a preocupação com o futuro do filho. “Ele é uma vítima”, disse em várias oportunidades, enquanto contava a história da família, permeada por violência e humilhações.

Segundo ela, a página deste drama só será virada, quando o rapaz de 16 anos voltar para casa. Até ontem à noite, ele permanecia na Delegacia de Infância e Juventude (Diju), onde aguarda o relaxamento da apreensão. “Tenho medo que ele vá para uma instituição como a Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem). Todo mundo sabe que lá não dá para ressocializar. Ele é um menino calmo, mais tranqüilo até do que eu”, conta.

Na noite da tragédia, o garoto chamou o pai para conversar na sala depois do motorista agredir a mulher na cozinha. “Eu estava fazendo comida. Ele veio por trás, me unhou e disse: vê se anda direito comigo. Eu virei e falei: quem está andando errado? Ele meu deu vários tapas e tentou torcer meu braço. Ele estava bebendo em casa desde às 13h30”, relembra.

Por causa da situação, o adolescente levou o pai para o outro cômodo, onde contou que estava triste porque a menina da qual gostava tinha terminado o relacionamento com ele, no domingo. Em contrapartida, o marido dela disse ao filho que a moça tinha tomado tal atitude porque o rapaz seria “viadinho”. As palavras do pai fizeram o adolescente chorar. Por causa disso, segundo a mãe, o motorista foi para cima do filho, que o empurrou no sofá.

Quando levantou-se, o motorista caiu sozinho na sala e bateu com a cabeça num banquinho. O filho, então, estendeu a mão para ajudá-lo a levantar e ele o puxou para agredi-lo. “Ele disse (para o menino) hoje ou vai eu ou vai você. Meu filho respondeu: não vai ninguém, pai. Peguei o mais novo e levei para a cozinha porque quando um apanhava ou outro apanhava também, por hierarquia”, conta a mãe.

Dormindo

O adolescente, então, teria conseguido imobilizar o pai pressionando os braços dele com as pernas. Com as mãos, segurou no pescoço dele. Enquanto isso, o motorista o chutava com as pernas. Foi então que o rapaz avisou a mãe que o pai tinha dormido ou estava desmaiado. Ela estranhou, foi checar e percebeu que o marido estava sem pulsação.

O adolescente, então, pediu ao irmão que chamasse ajuda na casa da vizinha. Quando o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) chegou, constou a morte. “Ele mesmo chamou a polícia e ficou esperando. Não resistiu (à apreensão). Ele falava: mãe, eu não posso ter feito isso”, conta. Em respeito à família e ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) a reportagem preservou o nome do adolescente e de seus pais.

Comentários

Comentários