Economia & Negócios

Proibição da Cetesb deixa lixo industrial sem destino

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

O município de Bauru ainda não tem definido qual o destino do lixo da linha de produção das empresas. Desde o início do mês, as indústrias da cidade estão proibidas pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) de depositar o lixo no aterro sanitário, localizado ao lado das penitenciárias 1 e 2, após serem informadas pela Agência Bauru da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb) que o empreendimento não tem licença para armazenar resíduos sólidos industriais. Desde então, os empresários estão armazenando o lixo ou levando-o para aterros de outros municípios, como Paulínia, na região de Campinas.

Ontem, uma reunião realizada na sede local do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) entre empresários, Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Emdurb, que pretendia encontrar uma solução para o destino do lixo industrial, trouxe apenas uma medida paliativa.

Ficou definido que um documento será enviado à Cetesb de São Paulo ainda nesta semana solicitando que durante 120 dias - após o pedido ser deferido - as indústrias possam depositar o lixo industrial no aterro sanitário de Bauru. Neste período, empresários e secretarias municipais envolvidas estudarão a melhor solução para o destino do lixo. Enquanto aguardam decisão da Cetesb, as indústrias não estão autorizadas a depositar o lixo da linha de produção no aterro municipal.

Soluções

Entre as soluções para o problema, o titular da Semma, Carlos Barbieri, aponta a construção de um aterro especial para resíduos industriais, a utilização do aterro de Bocaina ou mesmo um acordo com empresas para destinarem o lixo a outros municípios.

Ele acredita que em 120 dias é possível chegar a um consenso entre os industriais, Semma e Emdurb. “Esse é o primeiro passo para resolver um problema que não é de Bauru, mas sim da região inteira. No Centro-Oeste do Estado de São Paulo, não temos nenhum aterro industrial. Os que existem estão perto de Campinas e São Paulo. Talvez seja o passo para conseguir regionalmente construir um aterro para receber resíduos de outras cidades da região também”, aponta Barbieri.

Em Bauru, menos de 1% de todo o lixo que era depositado no aterro mensalmente vinha da produção industrial. Segundo o Ciesp, dentre as 7.410 toneladas de lixo deixadas no local a cada mês, somente cerca de 55 toneladas - de material atóxico - eram de indústrias.

“Temos que ter prazo para fazer as coisas. Neste ínterim, vamos tentar alternativas locais para encaminhar o lixo para algum lugar, onerando menos as empresas e não causando risco para o meio ambiente”, argumenta o diretor regional do Ciesp em Bauru, Ricardo Coube.

O empresário Oswaldo Silva, que trabalha em uma fábrica de artigos plásticos, conta que esta indústria gera resíduos de plástico e papel, ambos recicláveis, além de cinzas de madeira. “Não temos problemas com os plásticos e os papéis. Já as cinzas, analisaremos se poderão ser enviadas ao aterro ou se serão destinadas para outros municípios”, diz.

Comentários

Comentários