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Solidariedade, perdão e família


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Eis que chega o Natal! Estamos há apenas algumas dezenas de horas de uma das principais datas comemorativas do ano: o nascimento de Jesus Cristo. Ainda que a data fosse controvertida na antiguidade: a data real do nascimento de Jesus é incerta, sendo questionável, inclusive, diante de informações cronológicas dispostas nos Evangelhos, o fato é que, a partir da oficialização do cristianismo no Império Romano, com o Edito de Milão (313 d.C.), 25 de dezembro ficou instituída como data oficial de comemoração do Natal.

A despeito da artificialidade da data, 25 de dezembro é a data da comemoração do antigo Solstício de Inverno Romano e do nascimento da divindade iraniana Mitra (Deus Sol). O costume de enfeitar casas e edificações públicas com folhagens e guirlandas advém das comemorações de Ano Novo Romanas. A árvore de Natal, o bolo natalino, presentes e outros costumes foram herdados dos celtas e germânicos - a festividade transcende suas origens.

Mais importa o símbolo que a data “oficial”. Tanto é assim que, atualmente, vivemos a mesma incerteza quanto ao início das festas natalinas: a mobilização comercial que circunda o evento começa meses antes, com as promoções de Natal, os shoppings abarrotados de pessoas comprando ou só sonhando comprar, as luzes natalinas, o horário comercial estendido nos principais centros urbanos, o envio e resposta aos cartões natalinos. O mais importante da comemoração, ainda que filmes e campanhas publicitárias tentem subtrair-lhe o sentido humanista, foi preservado: o Espírito Natalino.

Falando como leigo, e sem a pretensão de fazer de um artigo de Opinião um sermão, atrevo-me a afirmar que o mais importante do Natal são os sentimentos e princípios que a festividade faz desabrochar nas pessoas.

A ocasião faz saltar aos nossos olhos a igualdade que é inerente a todos os homens: aqueles que ao longo do ano são vistos como “coisa” ao invés de pessoa, que são temidos e segregados, têm no Natal uma chance de recuperar a própria Humanidade. Sentimo-nos capazes e seguros para estendermos nossas mãos uns aos outros. No Natal, ajudamo-nos e reconhecemo-nos mais uns aos outros como iguais, tornamo-nos mais humanos.

O Espírito Natalino nos permite ver com olhos mais brandos todas as dificuldades e ofensas que nos foram impostas e somos mais capazes de aceitar, entender e perdoar esses males, tornando cada Natal um novo recomeço, como novos erros – somos todos humanos -, mas novas vitórias.

A família - a imagem do presépio e todos os ritos natalinos, sejam quais forem suas origens históricas, proporcionam um convívio familiar há muito desprestigiado. A competitividade, a histeria e todos os problemas urbanos cedem espaço para uma ceia natalina desacelerada e densa em convívio familiar. Filhos retornam aos seus lares, tios, primos e avós reúnem-se todos em uma mesma mesa para resgate dos laços familiares em sua plenitude. Enfim... a festividade transcende sua fixação no calendário, sua exploração comercial e mesmo eleitoral. Assim, celebremos todos!

O autor, Marcelo Specian Zabotini, é advogado - e-mail: mzabotini@gmail.com

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