Uma pesquisa realizada este ano pelo Centro de Capacitação e Incentivo à Formação (CeCIF), órgão que desenvolve trabalho de apoio à convivência familiar, confirma um dado triste para o quadro de adoções no Estado de São Paulo. O levantamento constatou que apenas 1% das pessoas interessadas em adotar não se importa com a idade das crianças. Os dados foram obtidos através de questionários enviados a grupos de apoio à adoção de todo o Estado.
Quanto mais velha é a criança, menor é a preferência por parte dos pretendentes a pais adotivos. As mais procuradas estão na faixa etária entre 0 e 2 anos, que corresponde a 68% do interesse. A partir de 5 até 7 anos esse percentual cai para 2%. “A cada dia, os extremos se acentuam. Temos mais famílias que esperam bebês e mais crianças e adolescentes maiores de 8 anos esperando por famílias”, avalia a coordenadora da pesquisa, Gabriela Schreiner.
Em Bauru, a presidente do Grupo de Incentivo e Apoio à Adoção da Região (Giaareb), Maria José Barbosa, confirma a preferência na adoção por bebês e faz uma ressalva. “A cidade tem uma lista de espera com cerca de 200 interessados em adotar. Desses, a maioria procura nenês brancos com até 9 meses”, salienta.
Para Barbosa, isso ocorre porque as pessoas acreditam no mito de que somente serão pais ou mães a partir do momento em que vivenciarem todas as etapas da infância da criança. Ela estima que existam entre 20 e 30 crianças acima de 7 anos aguardando adoção na cidade. “Os pais devem pensar que a criança nasce a partir do momento em que chega à família, independentemente da idade”, diz.
Duas famílias, uma de Bauru e outra de Botucatu, são exemplo de adoções bem-sucedidas de crianças mais velhas. Além de incentivar a adoção tardia, Barbosa também tenta convencer os pais a optarem por crianças negras ou com necessidades especiais.
Ainda de acordo com a pesquisa do CeCIF, 71% dos candidatos preferem brancos, apenas 13% escolhem afro-descendentes, enquanto 14% não se importam com a cor da pele.
Já as crianças com deficiência física ou mental e portadores do HIV são ainda mais discriminadas. Apenas 1% dos candidatos demonstra interesse em adotá-las.