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‘Ressaca alimentar’ das festas se cura à mesa

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

É natural que se inicie o dia seguinte à ceia de Natal com uma “ressaca alimentar”, após não resistir à fartura e variedade oferecidas à mesa. De hoje, domingo de Natal, até a semana que antecede o Réveillon, há muito o que beber e comer. Nesta época, cautela é o comportamento mais razoável. Pode parecer contraditório, mas a ressaca alimentar da ceia de Natal se supera comendo e bebendo com moderação, para limpar o organismo.

A nutricionista Sylvia Regina Vieira Tosi sugere uma depuração do aparelho digestivo saturado pela abundância de alimentos. Ela é adepta de uma postura nutricional regada a grandes quantidades de líquidos e consumo com moderação de massas ricas em carboidratos e carnes brancas.

Os chás de folhas verdes estão em evidência por ser ótimos digestivos e combater os radicais livres. Segundo a nutricionista, os orientais consomem chá após as refeições justamente pelo benefício da digestão. “O chá, de um modo geral, é benéfico”, indica.

O que ela não recomenda é dormir após uma refeição mais pesada. Tosi explica que a moleza que se sente é reflexo direto de alimento em excesso. Os sintomas são forte cansaço conjugado com sonolência e acompanhados de uma vontade irresistível de se deitar. Ela recomenda se manter em alerta por, no mínimo, 20 minutos. “Pode-se ficar em pé ou mesmo sentado para não sair da mesa e deitar em seguida, porque isso atrapalha muito a digestão, que fica lenta e demorada. A absorção dos nutrientes é muito maior e, com certeza, a pessoa engorda um pouquinho mais”, explica.

Festas de final de ano propiciam fartura de alimentos e bebidas destiladas e fermentadas oferecidas juntas, e não dá para negar o tempo todo uma porção de cada alimento. É inevitável aceitar um copo de batida ao cumprimentar um vizinho, um vinho importado ou nacional ou uma cachaça servidos por familiares ou amigos.

Tipos variados de bebidas conjugadas com carnes, saladas, frutas, nozes, massas e sobremesas da ceia natalina atraem. Daí, é comum as pessoas perderem a noção do seu limite pessoal e, em ambiente festivo e descontraído, abusarem da comilança. No dia seguinte, a sensação é de completo mal-estar que, em alguns casos, pode se prolongar até o Réveillon. Tosi lembra que existem pessoas que começam os excessos já na semana que antecede o Natal.

Ela enfatiza que, não havendo como recusar nada, a alternativa no dia seguinte é apelar para uma desintoxicação gradativa, mas que reabilite o organismo evitando debilitá-lo ainda mais com a recusa de alimentos. A dica é investir nos líquidos como a água de coco.

Além de mudar o tipo de alimentação, é fundamental comer quantias menores. A nutricionista sugere que se evite alimentos temperados com maionese. Tosi veta o consumo de bebidas alcoólicas com o estômago vazio, comum nas comemorações que antecedem a ceia de Natal e passagem de ano. Segundo a nutricionista, a desidratação provocada pelo álcool é culpada por boa parte do mal-estar.

“A bebida é assimilada muito rapidamente e corre-se o risco de ficar bêbado e perder as festas. No outro dia, há risco de ficar desidratado e até mesmo indo parar no pronto-socorro para reidratação”, alerta.

Frutas

Segundo a nutricionista, as pessoas podem exagerar nas frutas, pois elas são ricas em fibras e limpam o organismo. Ela indica frutas desta época do ano, como pêssego, abacaxi e melancia. Tosi ressalta a ingestão de sucos de frutas de laranja com mamão, laranja com abacaxi e laranja com manga, que formam uma combinação perfeita para superar a ressaca alimentar. Conforme a nutricionista, coquetéis de frutas devem ser consumidos como opção aos sucos. Entretanto, a adição de bebida alcoólica deve ser a mínima necessária para não afetar o sabor e ainda “bombar” o coquetel com maior quantidade frutas.

O bartender Leandro Ferreira revela que a alquimia do coquetel é juntar destilado, licor, sucos ou frutas e os agentes modificadores. Ferreira explica que os coquetéis leves devem ter em sua base destilados sem licores, que potencializam o sabor adocicado. A fórmula ideal é juntar frutas cítricas em um tipo de coquetel e formar outro com as frutas vermelhas.

Para equilibrar o coquetel, coloca-se o último ingrediente que é o agente modificador. Esse complemento pode ser uma groselha, xarope de frutas, gasosos - água com gás ou refrigerantes - e energéticos. Durante as festas que anima, Ferreira fica cercado pelos convidados atraídos pelo repertório variado de bebidas. Ele conta que os homens pedem mais frutas cítricas, enquanto as mulheres preferem coquetéis com frutas vermelhas ou mais doces, como morango, uva, framboesa, amora e outras.

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