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Os avanços sociais devem continuar


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O governo Lula entra em seu quarto ano com uma gama de realizações importantes tanto na área econômica quanto no social. Embora ignorada pela oposição e timidamente divulgada pelos meios de comunicação, a PNAD 2004 (Pesquisa Nacional de Amostragem por Domicílios), concluída em novembro pelo IBGE, comprova que o atual governo reduziu fortemente os índices de miséria, elevou a taxa de emprego aos melhores índices da década - especialmente os com carteira assinada - e possibilitou uma diminuição na concentração de renda dos brasileiros. Os resultados indicam que, nos dois primeiros anos do governo Lula, avançamos mais em matéria de redução da pobreza do que os dois mandatos de FHC.

Para alcançar esses objetivos, o governo desenvolveu uma política que deu início a um crescimento econômico sustentado e permanente e acertou nas políticas dirigidas à diversificação produtiva e ao incremento do crédito e da competitividade.

O governo Lula, ao assumir, evitou o colapso, levou os indicadores de endividamento a patamares menores e trajetórias descendentes, recuperou a função do Estado de formulador de políticas públicas, iniciou a implantação de políticas sociais estruturantes, colocou os bancos públicos e outras empresas estatais a serviço do desenvolvimento da infra-estrutura e da ampliação das exportações.

A política externa e de comércio exterior permitiu duplicar nossas vendas externas, diversificando mercados e agregando valor a nossas exportações. Dessa forma, reduzimos a vulnerabilidade externa e foi possível não renovar o acordo com o FMI.

Os resultados de uma gestão responsável, agora reforçados pela pesquisa do IBGE, comprovam que é possível fazer a economia crescer e, ao mesmo tempo, distribuir renda e manter a inflação sob controle. Mas sabemos que é preciso avançar mais. Temos, para o ano que vem, condições ideais para que as taxas de juros sejam reduzidas em até cinco pontos até o final do primeiro semestre.

Com a redução significativa e sustentada dos juros, a aceleração da execução orçamentária e a maturação de uma série de programas lançados pelo governo Lula - como a ampliação do Bolsa Família para 11 milhões de famílias, a aplicação do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento e Manutenção da Educação Básica), e ainda a conclusão da operacionalização do programa de biodiesel, a auto-suficiência em petróleo e o aumento da frota de veículos com motor flexível - o País caminha para uma condição ainda mais virtuosa na redução das desigualdades sociais.

A crise por que passou o partido neste ano de 2005 tem origem em falhas internas que reconhecemos. Estamos empenhados em corrigir nossos rumos, em fazer uma ampla reflexão sobre programa e estratégias partidárias, em avaliar de maneira crítica a condução de nossos governos e do próprio partido e em criar novas formas de procedimentos internos.

Mas os ataques sistemáticos que temos sofrido não visam corrigir nossos erros, e sim destruir um patrimônio acumulado nos últimos 25 anos pelo partido - e pela esquerda brasileira - na luta por democracia e justiça social.

Não podemos permitir que estes ataques políticos oportunistas tenham sucesso na tentativa de encobrir todos os avanços que alcançamos nos últimos três anos. Não podemos aceitar o retorno, ao governo federal, de forças conservadoras comprometidas com o ideário neoliberal. Isto representará um brutal retrocesso no caminho que trilhamos na direção de um país menos desigual.

Por isso, o PT, em resolução aprovada pelo Diretório Nacional no dia 10 de dezembro, faz um ch amamento para a construção de um novo pacto de coesão interna para fortalecer os laços do partido e do governo e a construir uma firme política de alianças com movimentos sociais, partidos populares e intelectuais progressistas. Nossa principal tarefa, neste período que se inicia, é trabalhar para que o primeiro governo de esquerda da história do Brasil conquiste mais quatro anos para aprofundar as mudanças sociais inauguradas em 2003.

O autor, Ricardo Berzoini, é deputado federal e presidente nacional do PT

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