Política

Após 17 meses, Banco do Povo libera apenas 83 financiamentos

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Inaugurado em julho de 2004 após vários anos de expectativa e espera, o Banco do Povo de Bauru ainda não deslanchou. Levantamento feito pela Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho (Sert) a pedido da reportagem mostra que, 17 meses depois da inauguração da unidade na cidade, somente 83 contratos de financiamento foram assinados até o final de novembro - o que corresponde ao valor total de R$ 212.637,00. A verba disponível é de R$ 1 milhão.

Para o diretor regional da Sert, Alexandre Ciro Perin Bertoni, o principal entrave para o desenvolvimento do órgão é a falta de divulgação por parte da prefeitura. Segundo ele, a maioria das pessoas não sabe que o trabalho do Banco do Povo é direcionado a pequenos empreendedores que desejam incrementar seus negócios, e não para conceder crédito pessoal. Os valores dos empréstimos concedidos variam de R$ 200,00 a R$ 5 mil.

“O Banco do Povo foi inaugurado há mais de um ano e muita gente ainda nem sabe que ele existe. Faltam empenho e investimento na divulgação da unidade, coisa que deveria ser feita pela Prefeitura Municipal. As unidades instaladas em municípios de porte bem menor do que Bauru (com cerca de 340 mil habitantes) têm registrado médias de contratos assinados muito superiores. É lamentável, pois há um universo enorme de pessoas que podem ser beneficiadas pelo banco”, diz Bertoni.

De acordo com o levantamento feito por ele, o Banco do Povo de Bariri - com cerca de 28 mil habitantes -, inaugurado em junho de 2002, já assinou 521 contratos, somando valor de R$ 1.714.196,00 até novembro. A unidade de Marília, que possui 197 mil habitantes, foi inaugurada em janeiro de 2002 e, até novembro último, liberou 782 financiamentos, somando R$ 2.841.545,00.

Já o Banco do Povo de Piracicaba - município de porte semelhante a Bauru com 328 mil habitantes -, inaugurado em maio de 1999, até novembro deste ano havia assinado 1.618 contratos, totalizando R$ 4.652.786,00 em créditos concedidos.

Lentidão

Inconformado, Bertoni diz que, com três agentes de crédito trabalhando na unidade e pelo porte da cidade, o Banco do Povo de Bauru deveria estar assinando uma média de 20 contratos por semana. “Infelizmente, essa média deve estar em torno de dois contratos por semana. Durante todo o mês de novembro, foram liberados somente sete empréstimos”, enfatiza.

Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Walace Garroux Sampaio, é injusto fazer a comparação de Bauru com cidades onde o Banco do Povo foi inaugurado há mais tempo.

“A divulgação dos serviços (do banco) realmente não vem sendo feita de forma intensa, mas já estamos trabalhando para mudar isso. Mas pelo tempo em que a unidade de Bauru está em funcionamento, os resultados apresentados estão dentro da média do Estado”, afirma Sampaio.

De acordo com o secretário, no mês passado os agentes do banco atenderam 34 pessoas. Deste total, seis queriam informações sobre crédito pessoal e duas sobre o programa Pró-Lar, que ainda não é disponibilizado em Bauru. Os demais eram pequenos empreendedores que buscaram orientação sobre a obtenção de financiamento para incrementar seus negócios. Nos meses anteriores, o número de atendimentos estava girando em torno de 90.

Aliás, na opinião do secretário, a ausência da linha Pró-Lar no Banco do Povo de Bauru também contribui para que a movimentação da unidade não seja maior. Neste programa, pessoas de baixa renda interessadas em reformar ou ampliar seu imóvel podem pleitear empréstimos de R$ 200,00 a R$ 5 mil.

Segundo Walace Sampaio, o governo do Estado - idealizador do Banco do Povo - informou que no momento não há verba disponível para implantar o programa Pró-lar em Bauru. Na região, as unidades de Pederneiras, Jaú, Lençóis Paulista e Lins já contam com esta modalidade de financiamento.

“A localização da unidade também não facilita a visualização de quem passa na rua, infelizmente. Acredito que quando o banco mudar para a sede do Poupatempo, previsto para ser inaugurado em Bauru em agosto de 2006, o número de atendimentos vai aumentar muito”, projeta o secretário.

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Divulgação

Quanto aos investimentos na divulgação do programa, o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Walace Sampaio, diz que recentemente foi confeccionada uma grande quantidade de folhetos que já estão sendo distribuídos ao público. Além disso, os agentes de crédito participam de reuniões em bairros para divulgar os serviços do Banco do Povo junto à comunidade.

“A exigência para que o tomador do empréstimo não tenha o nome registrado em órgãos de proteção ao crédito também limita o acesso. Informalmente, nós já apresentamos ao governo uma proposta de liberar um percentual sobre o valor do financiamento para que a pessoa possa quitar a sua dívida e ‘limpar’ o nome. Mas não obtivemos resposta”, finaliza Sampaio.

De acordo com o diretor regional da Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho (Sert), Alexandre Ciro Perin Bertoni, no Estado de São Paulo existem 354 unidades do Banco do Povo. A de Bauru fica na rua Gustavo Maciel, 11-49. O funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h.

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