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Buraco é o meio de vida


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De acordo com informações de Adriano Egydio, a viagem pelo sertão baiano chega a ser deprimente. “Depois que você entra no Estado da Bahia, não faz ultrapassagem e também mais ninguém te ultrapassa. Havia um trecho onde viajamos 100 quilômetros em primeira, de tanto buraco. Chegou uma hora, a hora das carretas em fileirinha, em que tinha uma senhora com duas crianças brincando no acostamento. Naquele sol, ela ia com uma carriola, uma enxada e uma pá e, com o carrinho, jogava areia nos buracos da estrada. Cada caminhoneiro jogava uma moedinha e a criança corria e pegava”, narra o empregado, que voltou para casa com um novo olhar.

Ele também surpreendeu-se com a higiene e alimentação. “Voltei valorizando a minha vida e a comida da minha esposa. Eu nem abracei ela direito e pedi para ela fazer um arroz com carne seca. Eu sempre reclamava, tá sem sal. Agora sou outra pessoa. As pessoas falam (muito bem) da Bahia, (a terra) do vatapá, do acarajé, essas coisas. Chegamos lá, churrascaria de bode. Bode assado, bode na chapa, buchada de bode. Eu emagreci três quilos. O pessoal é muito pobre. Quem ganha mais, ganha uns R$ 300,00. É só a pesca, e eles têm que sair para longe, porque não tem muito peixe. Carne, eles matam o boi na quadra vizinha e levam de carroça. Fica pendurado lá. A cabeça na calçada, junto com a cabeça de bode. A higiene é muito precária”, ressalta.

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